Sim, eu sou fã da Annie, acho Anniemal O álbum pop dos 00’s e Don’t Stop será muito bem digerido em posts futuros, mas por agora só preciso dizer que Annie vive e nós agradecemos.
E amanhã, The Spell do Alphabeat pra vocês. (:
Sim, eu sou fã da Annie, acho Anniemal O álbum pop dos 00’s e Don’t Stop será muito bem digerido em posts futuros, mas por agora só preciso dizer que Annie vive e nós agradecemos.
E amanhã, The Spell do Alphabeat pra vocês. (:
Eu não tenho como dizer que vou reativar esse blog, mas prometo ser menos espasso que de costume. Vou reativar e concluir ambos os contos até o fim de novembro (/promessa)(dedos cruzados).
Fato é que minha vida tá uma loucura e esse blog é sobre minha vida. Mas atualmente não rola de ter uma loucura E ter tempo de escrever sobre ela tendo q escrever sobre tanta coisa. Mas como vou poder escrever os contos, novas coisas virão.
E ah: novidade a caminho com musicisnottheenemy, um blog apenas sobre música deu e um parceiro de soulseek.
No mais, até breve.

Já comentei que essa é a estação mais filha da puta? Não? Esperem até amanhã.
A chuva já havia enviado sua mensagem para as crianças: Se quisessem o aniversário da baixinha, precisariam de um pouco mais de energia que a empenhada até agora. Após 7 dias, não havia porque se animar pela redução da intensidade, mesmo porque não havia certeza se a falta de vento tornava a chuva mais fraca, já que o que importava era a água, que corria livre pelas ruas, caindo no mar, que engolia preguiçosamente o litoral com suas vagas.
Foi nesse dia que o mais esperto convenceu o mais alto que a água da praia estaria mais doce, no dia do teste do barquinho. Sim, em apenas uma semana, com cordas, panos e móveis abandonados, caixas de frutas, metais do que antes eram fruteiras, agora jazia um barquinho. Sem ter certeza se seu Frankenstein sabia nadar, as crianças passaram a tarde arrumando uma forma de levar (por campinhos de areia, estradas de terra, alamedas alagadas, rodovias vazias) sua balsa até as águas do mar. Nesse ínterim, cresceram todo tipo de apostas bobas, filhas da primeira: vai dar certo?
- Eu digo que sim.
- Eu digo que não.
- Eu digo que não aposto.
E foi assim que o mais alto mediou a disputa do expansivo e do mais esperto. As copas das árvores gotejavam com força extra sobre a estrutura tosca que deveria flutuar, melodicamente acuando as crianças. E num campinho já completamente alagado, no três, puseram o barco na piscina onde antes jogavam futebol. E a flutuação plácida do barquinho deixou claro que o mais esperto apenas queria se divertir com um pouco de tensão nos amigos, colocada pelo medo do fracasso. Ou não.
Vendo que essa caixa de Pandora era um Jack in the Box, o expansivo e o mais alto passaram o resto da travessia entrando em todo tipo de aposta que os fizessem parar a caminhada sempre que surgisse a chance. E no caminho da alameda, perguntaram se o barco seguiria com a corrente que descia direto no mar. Uma ladeira como aquelas poderia significar o fim do barco nas portas do mar, mas a importância disso era crucial naquele momento. Velocidade.
- Eu digo que sim.
- Eu digo que não.
E observando do topo da ladeira, no meio da alameda, tiraram o barquinho da calçada e pousaram sobre a corrente de água doce indo em direção ao mar nas duas faixas da pista. O expansivo subiu a bordo e a barca ainda flutuava na pista. Subiu o mais esperto e ela ainda flutuava. O mais alto, num movimento rápido, subiu na barca sem que ela fosse sem ele. Mas ela estancou no fundo de asfalto. E com um placar empatado, seguiram em direção à avenida litorânea, o mais esperto satisfeito de voltar ao topo no quesito apostas.
Mas o empate não perduraria. A baixinha já estava ensopada quando chegaram na fina faixa de areia que resistia às vagas com a barca, e mesmo que a barca não estivesse embrulhada pra presente, sabia que era a dona e merecedora daquele esforço. Acalorada pela surpresa, abraçou cada um com força, ansiosa para testar o brinquedo. Com o parco vento que corria ali, as ondas não quebraria forte nem mesmo contra uma prancha, um botezinho enfrentaria com mais ímpeto as águas que um quebra-gelo navegando pelo ártico. E apesar do esforço empregado para arrastar a embarcação pela areia molhada, a baixinha subiu fácil no bote que flutuava pelas águas. E quando os amigos subiram, a baixinha deixou as águas cuidarem do trajeto do barco sozinha.
- Mais pra quê?
- Se a água chegar alto na ilha, a gente vai pra mais alto ainda.
E observando a cascata na ladeira, essa visão parecia muito distante. Seria preciso muita água pro mar ir tão longe. E o mar ficaria doce. E assim, na cabeça do mais esperto, surgiu a idéia, onde o alerta dos pais era claro: se a água estiver doce, teremos que ir para longe. Expansivo, alto e baixinha caçoaram, mas compraram a idéia de testar a água. Quem testaria foi tirado no palitinho, e quando o mais alto provou a água do mar, o morno amargou tão depressa quanto salgou, embora ele tenha escondido bem a careta.
- Qual o gosto?
- Gentil… pra gente.
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Frugal em vagas é um wannabe conto, mas é um diário de um eu presente sobre o passado. Um conto de férias. Ao todo ando matutando em dois, um mais denso. E numa noite de solidão e insônia ouvindo algumas músicas, surgiram as imagens de Frugal em vagas. Deve ser o meu texto mais frívolo já feito, mas a idéia é a leveza. Hope you enjoy.
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Frugal em vagas é um wannabe conto, mas é um diário de um eu presente sobre o passado. Um conto de férias. Ao todo ando matutando em dois, um mais denso. E numa noite de solidão e insônia ouvindo algumas músicas, surgiram as imagens de Frugal em vagas. Deve ser o meu texto mais frívolo já feito, mas a idéia é a leveza. Hope you enjoy.
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Frugal em vagas é um wannabe conto, mas é um diário de um eu presente sobre o passado. Um conto de férias. Ao todo ando matutando em dois, um mais denso. E numa noite de solidão e insônia ouvindo algumas músicas, surgiram as imagens de Frugal em vagas. Deve ser o meu texto mais frívolo já feito, mas a idéia é a leveza. Hope you enjoy.
Depois de dois dias dormindo, comendo, ouvindo música e dormindo, a falta de uma melhora perturbava Daniel tanto quanto a falta de contato com Joana. Ficar dias sem ver estava sendo sim gratificante a principio, especialmente pela folga que ganhara das pessoas que antes cobravam dele coisas que férias não poderia ajudar a conseguir. A certeza de seu quadro ser temporário extinguia qualquer preocupação. Não era o caso de Joana.
O cigarro que ela deu ao garoto nem tinha terminado quando a porta do seu quarto se abriu e fechou atrás dele, revelando um silêncio assim que o cd terminara de tocar, sinal de que a garota não mais estava mais no quarto. Diego voltou poucos minutos depois, trazendo consigo o cheiro do xampu de sua mãe.
- Ótimo, ela vai saber que houve algo.
- Quem?
- Minha mãe.
- Ah…
O tom de conforto intrigou Daniel. Mas o cansaço que sentia gritava mais alto que essa pequena semente de dúvida. Seu amigo deitou-o na cama com cuidado, no local ainda aquecido. Mal colocou a cabeça no travesseiro, porém, sentiu ao seu lado a cama afundar ao seu lado. Num impulso familiar, procurou cegamente a mão do seu amigo, em vão, já que esta parecia repousar em uma cruzada de braços. Ligeiramente envergonhado, pendeu a cabeça para o lado oposto ao de Diego e caiu no sono, para acordar sozinho horas depois.
- Quem deixou a janela aberta? Merda!
- Acordou filhote?
- Sim mãe.
- Diego falou que vai ta fora esse fim de semana, mas vem assim que puder. E a Joana, você viu ela por aí? Ela subiu com você e
- Achei que ela tivesse aqui. – falou sem disfarçar a surpresa.
- Não, quando eu cheguei tava só o Diego – uma pausa salivada – deitado… com você.
- …
- Ai, ai. Saudades de quando um peixe era um peixe.
Não era o momento para brincadeiras, e o silêncio que se seguiu cimentou o constrangimento de ambos, trazendo um barulho de arrasto no chão ao seu lado, do arrasto da janela e de passos até a porta, que permaneceu aberta. O sábado e domingo seguiram numa letargia lacerante para alguém cheio de coisas na cabeça, e foi com gratidão, até exagerada, que o rapaz recebeu Diego quando este voltou da rave. Seu amigo notou isso, pesando a mão na cordialidade da voz, notada pelo rapaz de venda. Sutileza não é um forte de habitantes de metrópoles. Mas após um pouco de conversa como se nada tivesse ocorrido, a coisa fluiu naturalmente. Talvez o silêncio fosse um preço a se pagar no momento, mas com a cegueira, a mudez certamente não era bem vinda. Daniel se levantou e foi até a escrivaninha fingindo buscar seu beck, que sabia não estar lá.
- Sabe onde a Joana guardou a maconha?
- Sei, quer que eu bole?
Não. Queria saber de Joana, não do beck.
- Sim.
Diego era muito geração saúde, ou seja, só se drogava com remédios. Só começou a fumar quando soube que maconha era usada em tratamentos de câncer para aliviar sintomas da quimio, mas acabou se revelando um belo paciente. Sua vaidade porém ajudava a disfarçar os efeitos colaterais do uso. E após o término do beck, o som do zíper e do spray, além do aroma cítrico, terminaram o ritual com um certo asseamento ao qual o rapaz ainda não estava acostumado.
- Tem algum compromisso daqui?
- Facu, né? Segunda. – a voz estava mais próxima e mais grave.
- Esqueci que só eu tô de férias ainda.
- Inveja. – a voz estava em sua nuca agora.
- Inveja nada, muito tempo livre. – a cueca começava a incomodar, mas havia o silêncio de Joana incomodando mais. A mensagem…
- Aproveita, moleque – uma mão envolveu sua cintura, lábios falando com seus cabelos e não com seu ouvido.
- Muito, sem poder ver nada… – o tom censurador não saiu nem perto do que tinha calculado, saiu bem mais ferino.
- Quem falou em ver. – a voz agora estava em seu ouvido e mão da cintura desceu alguns degraus, denunciando a verdade. Daniel estava gostando mais do que queria. E isso agradou Diego, que deixou o rapaz sentir seu agrado aumentando.
- Mas eu quero ver a Joana, saber se tá tudo bem com ela.
Diego se afastou como se tivesse tomado um choque. Passos lentos terminaram com o barulho do colchão afundando. Daniel sabia que apesar de ex, o outro ainda tinha um vínculo forte com a garota, mais um vínculo paternalista que qualquer outro, embora ainda demonstrasse algum traço da faceta namorado quando estava muito bêbado.Sabia pouco da relação dos dois, já que construíra uma própria com cada um, e algumas coisas sobre essa dinâmica ainda estavam mal explicadas, embora soubesse que podia tirar essas dúvidas a qualquer momento. Faltava apenas se interessar de verdade por isso.
- Ela não apareceu?
- Não. E…
- Qual era o carro do pai dela?
- Você sabe?
- Claro que sei, nós namoramos quase um ano.
- Eu só achei que…
- QUAL O CARRO, PORRA?
- O siena que ela tinha e vendeu.
- Merda. – algo foi chutado com violência – MERDA! Eu vou no ap dela.
- Eu vou junto.
- Você fica! Você tem que se cuidar pra ficar bom logo.
Estava cego, mas não inválido! Quis ir até o amigo, mas esse se moveu rapidamente e antes que chegasse à porta do quarto, ouviu a porta do apartamento se abrir e a irritação dentro de si incendiou. Sabia que poderia chegar sozinho, mas não iria ajudar muito perder uns cinco minutos com a espera das notícias do amigo. Mas os cinco minutos se prolongaram por mais de cinqüenta até que o rapaz tirou o celular do bolso e discou o número do amigo pela memória visual. A chamada caiu na caixa de mensagens cinco vezes antes que a preocupação batesse forte. E como sempre lidava com isso, deitou na cama esperando notícias do amigo até cair no sono.
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Daniel é uma incursão num rumo mais familiar, embora ligeiramente esvaído do que costumo escrever. A idéia inicial é de um conto pornô, mas sempre começo a escrever sem saber onde vou chegar. Vamos ver, né?
Havia uma sensação terrível de agonia naquela escuridão flamejante em seus olhos. Seja lá o que puseram naquela seringa, a dor diminuía para um incômodo, quase uma coceira, mas a idéia de tirar a venda e coçar os olhos ainda soava drástica demais para tal pequeno incômodo. Ouvia a voz de seus pais no carro, ambos tentando dar conforto, algo que ele admirava, mas não dava a mínima sem conseguir estruturar direito suas idéias por causa do sedativo. Só queria sua cama e nenhum zumbido.
Joana ajudou a subida pela escada que ele conhecia com a palma de sua mão, e Daniel notou o cheiro ainda forte do beck na menina. Quantas horas tinham se passado? Parecia uma eternidade, mas uma eternidade pequena para apagar as marcas do que estava acontecendo naquele momento fatídico. Lembrou da arma e um medo invadiu sua alma de que seus pais soubessem do que houve antes da energia voltar, mas um arrepio de Joana parou as reflexões de Daniel, que notou que estava com o nariz estupidamente próximo da garota. Um sorriso bobo apareceu em seus lábios pela primeira vez desde que queimara as retinas e seguiu com o rapaz até a soleira da porta.
- Eu conduzo daqui, Jô.
A voz de Diego confortou-o. Seria bom ter um homem que o carregasse um pouco, aquela alta exposição à Joana começava a ficar cansativa. E sempre era bom ter as mãos ao redor de Diego por um tempo, ainda mais sedado, quando poderia esconder por um tempo relativamente maior uma ereção e prolongar o tempo de contato. O benefício viria quando estivesse só e menos mole.
Diego era um ex de Joana que manteve a amizade com a moça quando terminaram, sem uma razão aparente. Segundo ela, não havia mais algo que os mantivesse junto, o que Daniel sabia que significava que havia se tornado sexo vazio. Não que o rapaz fosse vazio, mas Daniel imaginava que a tentação de sacrificar os outros aspectos de uma relação a dois em favor do lado sexual nesse caso era algo quase impossível de resistir, já que Joana não primava pela profundidade de qualquer forma. E seu ex certamente valia a pena pelo físico apenas. Com o tempo, porém, Diego foi ficando próximo de ambos, embora sempre na posição de convidado daquela relação mais antiga, e quando Daniel se tornou vizinho de Joana passaram a se ver mais vezes do que nunca, criando um vínculo próprio.
Havia pouco tempo que tinha se mudado para aquele apartamento, e o rapaz ainda tinha problemas para se localizar mesmo à parca luz da noite quando chegava de alguma saída, sem luz alguma era pior. Diego tinha um braço ao redor de sua cintura, carregando-o com cuidado pela casa, porém com a força costumeira de seus gestos enquanto Daniel mantinha o braço firme nos ombros largos e rígidos do amigo. Ao entrar em seu quarto, porém, o rapaz podia se localizar até de costas, mas continuou seguro ao amigo por mais um tempo. A moleza no corpo não diminuía, o que era bom, já que ele respondia ao menor dos estímulos táteis prontamente, passando por situações embaraçosas com facilidade.
Diego guiou-o até a beirada da cama, onde Daniel, exímio conhecedor de seu corpo e seu espaço, foi se assentando lentamente, com as mãos no corpo do amigo seguindo a altura de seus ombros por todo o tronco do rapaz, atingindo a calça, num fingimento perfeito que teve como trilha sonora o aumento da velocidade da respiração de Diego. Podia continuar se quisesse, e demonstrou/confirmou isso esticando os polegares ao encontro um do outro logo ao ultrapassar a linha da cintura e sentir o início da ereção do amigo, que congelou a respiração apenas para continuar mais leve quando Daniel continuou o trajeto, sentou em sua cama e deitou sem dizer uma palavra, segurando um riso ao imaginar como estaria o rosto de seu amigo enquanto não ouvia um movimento dentro do quarto.
Mas a falta de movimento continuou por minutos longos, apenas a respiração conhecida continuava no quarto. Ora, porquê não?
- Mas hein, tem como ligar o som rapidão?
Passos do seu lado fecharam a porta e foram até o criado mudo ao lado da cama, buscando o fio da tomada do som e o interruptor. Daniel cheirou a gola de sua camisa, que ainda tinha um cheiro forte do baseado, tirando quase num ímpeto e deitando novamente. Um clique e o som do Deerhunter começou de onde havia parado antes de apagão.
- Come for me. Cover me…
Um peso ao seu lado da cama fez seu braço deslizar de sua camisa para uma coxa apertada contra um jeans, sem repousar muito tempo, movendo para frente e para trás. Um movimento maior do corpo de Diego e antes do segundo refrão o corpo de Daniel estava afundado na cama sob o do amigo, que já havia tirado a camisa em algum momento, mas só agora tornou isso do conhecimento do rapaz. Suas pernas receberam as do outro entre elas, pressionando a cintura do ex de sua amiga e trazendo junto de si uma ereção completa agora, alimentando a sua própria pelas pulsações fora do ritmo da música, enquanto seus lábios se encarregavam de concordar com o ritmo desta no contato uns com os outros.
A surpresa da iniciativa de Diego incendiava o corpo do rapaz mais que o contato com a pele ligeiramente quente deste contra a sua. O rapaz por cima movia as mãos pelos braços do outro, segurando com força e levando até a cabeceira da cama, sem desgrudar os lábios do outro, segurando suas mãos nas grades da cabeceira com as dele, para mover novamente por seus braços, enquanto beijava Daniel com força. Após meses de contato, semanas de contato quase diário, o rapaz nunca havia tido um sinal de que Diego pudesse realmente desejar outro homem, e sempre fora muito observador quanto a isso. Mas a força que os lábios do outro imprimiam nos seus denotava um desejo carnal real muito mais sincero que o volume no meio de suas pernas. É muito fácil levantar o pau de um homem, mais difícil é fazer algum coisa quanto a isso.
E muitas coisas estavam sendo feitas, enquanto os lábios de Diego seguiam dos de Daniel para seu queixo e pescoço, perturbando a respiração até então controlada deste, que sentiu a intensidade cair novamente. Suas mãos então ficaram livres, e uma mão apenas foi para o cós de sua calça, segurado com força, aberto devagar com uma única mão, que com acesso livre a cueca, começou a deslizar sobre o desenho nítido de seu pênis com força, apenas a palma aberta, enquanto o outro se movia por algum motivo que logo foi esclarecido.
Novamente seu amigo se deitou sobre Daniel, respirando rápido a milímetros do rosto desse, o hálito limpo como poucas vezes um fumante tem a chance de ter, enquanto as mãos voltavam às suas, mas agora com um tecido, alguma camisa talvez, que Diego envolvia sobre os pulsos dele, até apertar por fim, prendendo os braços do rapaz na cama. Não apenas desejava, como desejava de uma forma ligeiramente perversa. Isso excitava ainda mais Daniel, que apertava a cintura do amigo com as pernas com força, deixando que esse soubesse dessa excitação.
As mãos de Diego se moveram por fim dos braços para o peito de Daniel, e dali para a barriga deste, chegando até a calça aberta, quando começaram a remove-la, tirando Diego da prisão de pernas que estava por instantes. Daniel agradeceu, pois no estado que estava até a cueca incomodava. Ouviu por fim o barulho da calça do amigo caindo no chão e um peso na cama fez com que sua energia voltasse, extinguindo a moleza do corpo. Um par de mãos removeu sua última peça de roupa com pressa, segurando seu pau com firmeza e deslizando para baixo, no que, novamente para sua surpresa, estava acompanhado de lábios firmes como os que estiveram agora a pouco em sua boca. Daniel já havia tido sua cota de idéias sobre isso sozinho no seu quarto, mas jamais imaginou que seu amigo é quem faria tudo de uma forma tão… altruísta.
- Bendita cegueira
O rapaz agora sentia o conforto da mão e da boca do outro envolvendo-o com uma alegria mórbida, não apenas pelo talento que seu amigo tinha revelado como pela idéia que se formava em sua cabeça de como Joana nunca desconfiou. Com certeza não era a primeira vez que Diego chupava um cara, a menos que ele tenha nascido para isso. Os movimentos tinham um ritmo próprio que desrespeitava a música atual, catártica. Havia ali um controle absoluto, mesmo com uma energia quase incontida em dar prazer ao garoto amarrado. Enquanto a língua dialogava com o corpo de seu pênis calmamente, mãos e lábios insistiam em pressionar, puxar, tragando o rapaz cada vez mais para seu amigo. Não demorou muito para sentir que iria gozar, avisando o amigo com gemidos cada vez mais altos e rítmicos. Mas esse, nova surpresa, manteve os lábios mesmo após os primeiros jorros, alternando entre tirar e pôr o pênis de Daniel de sua boca, sem nunca tirar as mãos, apagando com sua boca e língua qualquer vestígio do que houve, deixando o novo cego com uma expressão de choque no rosto.
Um movimento na cama e passos alertaram do que ocorreu em seguida, quando mãos molhadas desamarraram suas próprias mãos e acariciaram sua cabeça molhada de suor. O cd ainda tocava suas últimas faixas indiferente ao que tinha acontecido, quando a porta se abriu e uma corrente de ar começou a liberar o cheiro de sexo dentro do quarto. Os passos trouxeram as roupas do chão para sua cama, e quando se preparava para buscá-las, um último contato de lábios trouxe o gosto de sua vitória e surpresa para si, antes que pudesse começar a se vestir.
Não dava pra saber que horas eram. Sabia que estava em sua cama após uma exaustiva noite de hospitais e pouco a se fazer além de esperar. A venda em seus olhos incomodava um tanto, o suficiente para que, ao ouvir a porta se fechar e passos no corredor, Daniel tirasse-a por um tempo. Ainda estava mergulhado na escuridão e não sabia se voltaria a ver tão cedo, mas o costume com aquela geografia particular de seu quarto não atrapalhou a caminhada inquieta até a escrivaninha. Estava limpa, nem sinal de beck ou arma.
- Jô, te amo.
- É bom ouvir isso de vez em quando.
Da cama pôde ouvir o clique do isqueiro e o odor familiar de carlton crema. Guiado pelas coordenadas conhecidas, estendeu a mão pedindo um para si enquanto vestia a cueca.
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Daniel é uma incursão num rumo mais familiar, embora ligeiramente esvaído do que costumo escrever. A idéia inicial é de um conto pornô, mas sempre começo a escrever sem saber onde vou chegar. Vamos ver, né?
Sete da noite, os cigarros estavam acabando. Daniel sabia que precisaria ir naquela padaria que a essa hora estaria lotada de pessoas que saiam dos seus empregos e, sinceramente, não iria atrapalhar a alimentação dos outros com o cheiro de cigarro de suas roupas. Acendeu o penúltimo cigarro do maço amassado e pôs-se a observar a rua durante o apagão. Estranho como as coisas continuavam a acontecer numa cidade perigosa mesmo sem o conforto da luz. Pessoas caminhavam pelos jardins, estacionavam em locais ermos, sombras emitiam sons, galopes vinham do apartamento de cima, tudo continuava o mesmo.
- Eu devia ficar cego e não me deter pelo que enxergo.
Seu antidepressivo também estava acabando. Para evitar a farmácia, Daniel tomava dia sim, dia não, contra ordem médica, justificando para si com o fato de ter voltado a beber. Não havia muita bebida cercando-o, mas sua rigidez não trabalhava com diferenças entre ruim e péssimo. Tons de cinza denotam apenas indecisão. Havia claro uma margem de tolerância quando se tratava de outras pessoas, mas em respeito à individualidade de cada um.
O jovem se dirigiu à cozinha e encheu um copo de vodka, pegando o último cigarro com o maço e indo até a mesma janela que estava, com vista para a padaria. Tirando o cigarro com os lábios, jogou o maço fora pela janela e nem bem acendeu o cigarro, já estava bebendo o primeiro gole da vodka pura. Com a mudança rápida de temperatura, um aquecimento seria bom, especialmente antes dos pais chegarem. Fim de semana chamava, mas sem emprego, precisava esperar pela ajuda dos pais antes de sair.
- Droga de espera.
Uma caminhada rápida até o espelho trouxe a ele um certo conforto. Sem eletricidade era interessante se olhar no espelho, os cabelos escuros não contrastavam tanto com a pele, suas formas interagiam melhor umas com as outras sem a luz sobre as cicatrizes da infância, era interessante. Conseguia ficar sem a camisa com mais facilidade nessas horas, quando não temia a magreza que a luz mostrava nem a falta de energia em seu olhar. Mas o passeio por sua pele teve que esperar com o toque da campainha.
- Daniel, abre…
Talvez por efeito da vodka bebida rápida não notou os passos que vinham de cima irem para baixo, terminando em sua porta. Os passos terminavam nas pernas da colega de ônibus de todas as manhãs, que estava arrepiada pela escuridão do corredor. Daniel abriu a porta e deu guarita para a amiga entrar.
- Você podia ter caído
- Precisava te mostrar isso.
A garota sacou o celular e mostrou a mensagem recebida a menos de 10 minutos.
- “Indo te visitar”? Ele não tava preso?
- Falou bem. Tava. Agora ta solto e eu não sei o que fazer. Pensei que você tivesse algo no seu curso pra eu me proteger
- Porra, você sabe que eu só começo o curso em Julho.
- Tá, mas o quê que eu faço.
- Liga pra polícia primeiro, né, sua anta – falou isso com um certo carinho que poucos tinham acesso, batendo de leve na testa da moça aflita.
A ligação pouco trouxe de conforto para a moça, que ouviu coisas sobre protocolo, dicas de segurança, etc. Sabia onde acharia conforto maior e foi até a cozinha, deixando Daniel na sala. Ao voltar, a sala estava vazia e a moça se dirigiu ao quarto do rapaz com o copo tinindo em seus lábios devido ao gelo. Ao chegar lá, viu a luz da lanterna iluminando Daniel, uma tesoura e uma pequena quantidade maconha sobre um papel de trevo.
- Daniel, cê tá louco? Seus pais não chegam agora?
- Fiquei sem cigarros, e você sabe que eles não ligam.
- Mas precisa jogar na cara deles assim?
- Eles não ligam.
O tom incisivo denotava o fim daquela conversa.
- Quer que eu busque vodka pra você também?
A resposta foi um aceno de copo de Daniel, indicando que ele havia enchido o copo durante o telefonema, já que gotas já começavam a escorrer pelo vidro do copo. A garota ficou calada enquanto o jovem bolava o cigarro, bebericando de leve sua vodka. Observava as mãos do garoto e como seus cabelos ficavam melhor longos, ao menos no contraluz gerado pela combinação janela e apagão. O garoto ficou alheio às observações, de costas para a guria e plenamente concentrado. Quando enfim acendeu o beck, o rapaz deixou a luz do isqueiro iluminar sua expressão carrancuda um instante, o que preocupou a menina, mas com o fim da luz do isqueiro a voz suave do rapaz envolta em fumaça acalmou a garota do sinal anterior.
- Então Jô, quê que você vai fazer quanto a isso? – falou estendendo o beck.
- O quê que você acha? Vou conversar com meus pais e me mudar de novo. – falou aceitando.
- E vai ser assim sempre? – falou pedindo o beck de volta.
- Que escolha eu tenho? – falou passando.
Daniel tragou teatralmente, movendo a postura na cadeira para ter acesso a algo no meio das pernas que antes Joana não havia notado. Sempre soube que o rapaz era um daqueles gays que dormiam com as amigas vez ou outra, e seu próprio interesse sexual no rapaz a assustava, deixando a moça absolutamente tensa ao notar onde as mãos do rapaz repousavam, mas Daniel não pôde notar, entretido com a fumaça dentro de si.
- Se preparar pra ele… – Daniel sorria na escuridão, o que Joana não pôde ver e diminuiu o impacto do ato seguinte, quando tirou a arma do meio das pernas, que estava oculta pelas sombras e sacudiu no ar. Imediatamente a moça foi até o rapaz, subindo o joelho sobre a cadeira giratória onde este estava sentado e segurando a arma e retirando das mãos moles do moço, com um ar assustado. Daniel apenas continuou tragando.
- Seu lunático! Isso nem seu é, pára de mexer com isso. E se te pegam com isso, você lembra do que seus pais fizeram quando você descobriu que eles tinham isso em casa pra proteção. PROTEÇÃO!
- Eu vou proteger você então, se você não quer se proteger… – falou colocando o beck na boca dela.
- Idiota! – Joana tragou com fúria – Eu sei me proteger, obrigado. E sei o que vai acontecer se você brincar de meu marido.
- Aí que você se engana. Nunca provou. – falou levando o beck novamente à boca da moça.
- Há há, muito engraçado.
Por pouco ela não engasga, na verdade. E ao notar a maciez chegando dentro de si, a garota se dirigiu à janela para fumar um cigarro comum. Daniel viu a luz do isqueiro enquanto fumava o resto do seu beck, observando a moça no contra luz da janela. Ficou um tempo sentado até o seu cigarro acabar, indo até a amiga implorar por um cigarro comum, mas, como que um senso de humor macabro do destino, começava a abrir a boca para a amiga e se acostumar com a luz, quando a luz voltou, mas com intensidade sobrenatural, explodindo a luz do poste à frente e a luz de seu quarto, incendiando a pupila mais que dilatada do rapaz, que sua cabeça traduziu com uma dor excruciante e latejante e seus olhos como a mais completa escuridão. Apenas a voz de Joana se fazia sensível.
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Daniel é uma incursão num rumo mais familiar, embora ligeiramente esvaído do que costumo escrever. A idéia inicial é de um conto pornô, mas sempre começo a escrever sem saber onde vou chegar. Vamos ver, né?