2009, a playlist

A questão é a seguinte, aqui também acabou tendo música pra caralho e vou fazer um top. Claro que certas coisas dificultam esse top, pois há projetos e projetos. Fever Ray e Emilie Simon lançaram álbuns onde as canções não vieram para funcionar solitárias, por mais impressionantes que elas sejam, o que tornaria injusto destacar uma dessas entre as maiores do ano em minha opinião. E por melhores que sejam os remixes das músicas do The Gossip e Saint Etienne, ainda tenho meu preconceito se a música remixada supera a original. Dito isso, aí vai a lista das melhores músicas do ano.
1 My Girls – Animal Collective
Cada vez que essa música começa a tocar em algum lugar, com Panda Bear declarando exatamente como o suficiente é bem menos do que aprendemos desde cedo dentro de uma sociedade baseada em acúmulo cego, adornado pela melodia hipnótica e pela construção ligeiramente tradicional de vocais contrastando com a extrutura sonora fluida, em algum lugar o mundo se torna um lugar melhor. Não é só uma música do caralho, é uma música importante, de uma mensagem simples mas que resiste ao desgaste pela universalidade e atemporalidade.
2 1901 – Phoenix

Não, eu não preciso escrever nada se vocês verem isso, só vou precisar se alguém, como eu, notar por vezes uma dúvida: será que não merecia estar uma posição acima?
3 Bad Romance – Lady GaGa
Joguem as pedras, mas na indústria da música ninguém caminhou tanto esse ano quanto Lady GaGa. E não por falta de méritos nem de ambições, embora só com Bad Romance as ambições chegaram na música além da imagem. Uma estudante exemplar da escola Madonna de artistas pop, Lady GaGa já disse que ninguém resiste à um bom refrão e nisso ela tava certa. E Bad Romance tem um refrão bom, uma entrada boa, estrofes boas, e por mais que discutam a imagem dela à exaustão, é com músicas meticulosamente bem produzidas como Bad Romance que ela se destaca do nicho de Shooting Stars como Katy Perry e se aproxima até rápido demais do nicho de Superstar, um ramo defasado mas que sempre mantém o respeito que merece.
4 Convinced Of The Hex – Flaming Lips
Provavelmente a escolha da faixa de abertura do Embryonic foi o momento mais simples na construção do cd. “I believe in nothing / And you’re convinced of the hex / That’s the difference between us” são as últimas frases da faixa e não dizem o que será o Embryonic, mas dizem o que fazer com esse álbum. E dizem sobre a faixa também, com bateria ligeiramente funkeada e guitarras distorcidas, interferências vocais estranhas, essa música é como algo nunca feito antes, recusando qualquer tag que possam tentar colocar sem com isso deixar de ser cativante. É algo inacreditável para qualquer pessoa acostumada com música, mas Flaming Lips não é uma banda que navegue por crenças. E sem uma bússola a banda ainda é capaz de criar algo incrivelmente belo.
5 Lizstomania – Phoenix
Phoenix ficou toda essa década fazendo música boa, e eles próprios tem músicas melhores que essa. Mas foi com essa música que eles saíram da zona inferior ao radar e chamaram a atenção. Abrindo o estupendo álbum da banda, a faixa é bem marcada, com um refrão primoroso e um ritmo frenético que vai das estrofes pras pontes suavemente graças às transições intrumentais e líricas bem gentis, sendo um estouro da primeira à última nota e mostrando que o Phoenix, por mais que não tenha um diferencial muito claro, tem o diferencial de ser uma banda realmente boa naquilo que faz, coisa rara hoje em dia.
6 Lust For Life – Girls
Não é meramente uma introdução a um dos melhores álbuns do ano. Lust For Life é o álbum inteiro condensado em parcos minutos, o que não apenas torna a faixa a mais memorável do álbum como também abre caminho para algo simples: quem (por alguma razão que eu não consigo imaginar) não gostar dessa faixa pode desistir do álbum, já que TODOS os pontos que destacaram a estréia do grupo californiano aparecem na faixa, desde as guitarras de garage rock dos anos 90 que servem a uma composição de sonoridade mais 60’s à letra emocionalmente simples e avassalodora cantada de forma rasgada. Se uma faixa realmente mereceu o nome de carro chefe esse ano, Lust For Life sem dúvida foi essa.
7 Black Hearted Love – PJ Harvey e John Parish
Uma supernova num álbum cheio de estrelas de pequeno porte, Black Hearted Love mostra o que a união do multinstrumentista John Parish e da absurdamente talentosa compositora PJ Harvey podem produzir. A parede de guitarras e o baixo sutil safado que abrem a música seguem até o fim, pontuando os vocais languidos de PJ no que seria uma das suas letras mais romanticas já construídas, o que nesse caso pode exemplificado pelas comparações com crime, pelo refrão explosivo no imperativo mesmo que ela diga “I’d like to take you” e pelo final caminhando num fade lento onde a fala da moça é quase descritiva em sua obsessão. Se o cd tivesse apenas mais uma faixa como essa já seria um dos melhores do ano com o nível das outras, já que essa é a faixa que PJ tentou fazer durante toda a década sem sucesso. E isso quer dizer muito.
8 Daniel – Bat For Lashes
Com tantas composições complexas dentro desse álbum, justamente a mais direta é a mais memorável. Daniel é uma faixa que cresce devagar, algo claramente teatral, e quando a cena completa é apresentada o impacto é avassalador. Os sintetizadores e a batida carregam a voz de Natasha por um clima sombrio, ligeiramente gótico, onde ela se esbalda na interpretação da letra, repleta de vulnerabilidade mas ainda assim num refrão encantadoramente esperançoso, com os vocais ligeiramente etéreos, fazendo da faixa uma interessante trilha sentimental macabra para o tema “Amor”. Sem dúvida alguma a música pop do ano.
9 Magnificent – U2
O maior erro do U2 na promoção do No Line On The Horizon foi ter colocado a única faixa abaixo do nível das outras como carro chefe do álbum e ter desperdiçado a chance de ter usado essa soberba faixa como carro chefe do álbum, tendo usado apenas quando o estrago já tava feito e as expectativas andavam baixas. Magnificent tem uma extrutura padrão, mas nas mãos do U2 uma extrutura padrão é um espetáculo de guitarras de um tempo onde o instrumental era bem mais valorizado e de vocais capazes de colocar um cão morto aos pulos. Uma faixa assim teria elevado a expectativa do álbum ao nível que ele realmente merecia e ele não seria carregado pelo nome da banda, mas sim pela qualidade das músicas.
10 Zero – Yeah Yeah Yeahs
Mesmo o mais mente aberta não deve ter entendido o que significou o começo do It’s Blitz, pois quando Karen O avisou para colocar seu couro foi o momento em que a festa começou. E daí pra frente a faixa só continua seu ritmo frenético, com muitos mais truques de produção que qualquer faixa anterior da banda, com bateria marcada para a pista de dança e os vocais sensuais de Karen O servindo maravilhosamente bem para a proposta dançante do grupo, o que não significa que essa faixa não seja grandiosa o suficiente para maravilhar no palco. Versátil, envolvente e divertida como nenhuma outra do ano, Zero foi a bússola da nova direção que o grupo tomou a um som mais divertido e nem por isso menos empolgante.
11 Moth’s Wings – Passion Pit
Passion Pit fez um cd inteiro de singles, mas a faixa mais afeiçoável é aquela que vem justamente mais delicada. Diferenciada do som do resto álbum que flerta com as tendências associadas à juventude, Moth’s Wing é uma parede de sintetizadores construindo uma faixa grandiosa da introdução ao desfexo, com harmonias vocais delicadas e um clima animador, despida de afetações e construída com um preciosismo estonteante que a cada audição se revela mais envolvente.
12 Islands – The XX
Foi difícil escolher uma faixa do álbum que pudesse merecer destaque entre as outras, mas seria ainda mais injusto que não se colocasse uma entre os destaques do ano. E o trabalho aqui era escolher qual das diversas qualidades do álbum foi a mais recompensadora, e a escolha de Islands se baseou na escolha particular da sensualidade. E a guitarra sem vergonha dessa faixa, aliada aos vocais blases de Romy dialogando com os vocais frágeis de Oliver fazem dessa não apenas a faixa mais sensual do álbum, mas a faixa mais sensual do ano.
13 Songs Remind me Of You – Annie
Richard X é um mago de texturas, mas aqui ele realmente se superou. O trunfo aqui foi ter feito a faixa mais dançante do catálogo de uma artista que era cultuada na esfera dance. Trabalhando a sonoridade eletropop oitentista com truques típicos da terra da moça, Songs Remind Me Of You é como se Royksopp e o Human League de Dare! gerassem uma filha ligeiramente tristonha, mas que nem por isso perdesse da cabeça a idéia de que a melhor saída para a fossa é uma boa pista de dança.
14 Summertime Clothes – Animal Collective
Aqui eu novamente abro espaço para ser criticado pela colocação: Avey Tare é de longe o melhor vocalista no grupo. E se há quem arraste asa pro Noah, bem, assumo que pelo trabalho solo dele é possível que o que de mais acessível haja no trabalho do Animal Collective venha dele, mas estamos falando de um grupo que canta sobre bases eletrônicas, e é na entrega de frases como “I want to walk around with you” que Avey Tare traz com nada maior que docilidade que surge um dos motivos do porquê o Animal Collective é o grupo mais bem sucedido da década, artisticamente falando. O elemento humano dentro da banda nunca é esquecido. E isso é ponto de Avey somente.
15 French Navy – Camera Obscura
Campbell é uma liricista cerebral até demais, e é interessante notar que seu arsenal, que inclui cinismo dos bons e contruções que deixam claro o lado dela de Sou mais espera que vocês, possa funcionar tão bem numa faixa que desliga o racional e apela para o emocional, pois em 30 segundos toda a história do encontro foi narrada e daí pra frente é só entender o que fazer com isso. E dessa vez, talvez pela doçura do trabalho de cordas que coroa a música ou pela bateria girl group 60’s, Campbell pendeu para o lado açucarado, o que só fortaleceu essa que é a faixa mais doce do ano.
16 Hooting & Howling – Wild Beasts
O começo já traz o falsetto delicioso de Hayden chamando a atenção mais do que qualquer instrumental poderia. Mas quando os intrumentais aparecem a faixa fica ainda mais forte, confiando na guitarra que praticamente dialoga com o vocal durante toda a faixa para construir uma faixa que vai a cada momento ganhando energia até que chega num final apoteótico, que embora tenha estrofes repetitivas por boa parte, são construções vocais que não apenas possuem força como são imageticamente fortes o suficiente para reverberarem na mente muito depois do término da faixa.
17 Dog Days Are Over – Florence + The Machine
O buzz ao redor do trabalho de Florence Welsh não foi injustificado, como essa faixa pode demonstrar. Uma vocalista de primeira com um talento para entregar as letras a cada momento como a letra demanda, de interpretação inteligentemente enérgica, cada afetação apenas contribui para o resultado final da faixa ser maior que a idéia em si. Como se não bastasse o talento da vocalista, a composição é adornada por um trabalho de cordas delicado e delicioso ao redor da cacofonia que engrandece a faixa, fazendo com que a atenção na faixa seja sutilmente renovada a cada novo turno que a faixa toma, e com o tanto de transições dentro dessa faixa, foi um trabalho nada menor que incrível o que foi atingido aqui.
18 People Got a Lotta Nerve – Neko Case
Essa é uma daquelas faixas country capazes de cruzar as barreiras que normalmente sufocam o nicho e se tornar uma boa lembrança do que faz com que esse terreno sempre se renove, já que essa faixa flerta mais com as mulheres de violão da virada da década de 80 que com as crossovers do country music que inudaram a virada dos anos 90. Além disso a ruiva surpreende com letras que só revelam o que ocorre lá pela metade da faixa e tragam o ouvinte pela curiosidade e pela voz incrivelmente gostosa da moça. Forte do começo ao fim, People Got a Lotta Nerve ainda tem a vantagem de, se deixar no seu player no repeat, vai ouvir até perder a conta sem cansar. Testem, garanto que não vão se arrepender.
19 Eet – Regina Spektor
Far foi um álbum onde Regina trouxe o aprendizado dos anos anteriores na composição pela primeira vez na sua carreira, auxiliada por um time cavalo de produtores. Mas se isso soa muito jugo seguro, podem crer que não é o caso. Eet é uma faixa que, assim como o Begin to Hope, apoia-se não só no piano da moça, mas em toda uma extrutura de estúdio, mas dessa vez a moça traz cada ítem usado na composição para que seu piano e sua voz sejam vistos maiores e acima, e considerando que ela é uma vocalista habilidosa e uma pianista incrível, podem acreditar quando digo que o resultado é algo positivo. Mais que isso, recompensador.
20 Saga – Basement Jaxx
Ano passado falei que Santigold faria melhor se saísse da esteira da M.I.A. e fizesse algo próprio. Quem diria que a união dela com Basement Jaxx é o que sinalizaria para o quão boa essa idéia pode ser. O flerte com o reggae soa até irônico quando a faixa chega no seu refrão, onde ela martela a a frase “You’re just limiting all the possibilities” em meio às batidas alucinadas que o duo usa ao redor de seus vocais curiosos mostrando que, livre de uma tentativa de rótulos, seu trabalho pode ser tão bom quanto o da cingalesa. E embora não saiba de quem foi a idéia de flertar com um som mais reggae a principio, é a presença de Santigold que disparou esse gatilho. Nesse caso, esse foi sem dúvida o trabalho em equipe mais aberto da carreira do duo. Não bastasse ser uma ótima faixa, ainda é uma que vem cheia de boas possibilidades para o futuro.

As outras faixas que mereceram destaque esse ano:

Try Sleeping With a Broken Heart – Alicia Keys
The Spell – Alphabeat
Brothersport – Animal Collective
Anthonio – Annie
Walkabout – Atlas Sound
My Turn – Basement Jaxx
Siren Song – Bat For Lashes
Deli – Delorean
Stilness Is The Move – Dirty Projectors
Nothing To Do With You – Emilie Simon
Rainbow – Emilie Simon
Standing On The Shore – Empire Of The Sun
If I Had a Heart – Fever Ray
Laura – Girls
Heavy Cross (Fred Falke Remix) – The Gossip
Crazy/Forever – Japandroids
From Africa do Malaga – JJ
In For The Kill – La Roux
Sattelite Heart – Metric
This Tornado Loves You – Neko Case
Chasing Pirates – Norah Jones
Sleepyhead – Passion Pit
Mommy Complex – Peaches
Chasing The Tear – Portishead
Consider Me Gone – Reba McEntire
The Calculation – Regina Spektor
This Must Be It – Royksopp
Method Of Modern Love – Saint Etienne
Only Love Can Break your Heart (Richard X Balearic Remix) – Saint Etienne
Arrow – Tegan and Sara
Crystalised – The XX

And the day it ends and there’s no need for me…

A garota eu conheci em 2005. A música euconheci em 2006. Foi nossa canção juntos. Ela só se vestia de branco, eu era alguém que devia sair da adolescência. Mas com ela eu virava criança novamente. Nos conhecemos ao vivo em 2007, mas sinceramente foi desnecessário, eu já estava preso à ela e me soltar só mesmo pela morte, certo?
Não, a vida pode fazer isso com as pessoas. Eu reconheço agora como esses 3 últimos anos foram fantásticos a seu modo, onde vivi como nunca. Mas eu reconheço também que não vivi 3 anos, vivi 2, e existe um ano de fatos que eu AINDA não vivi, borbulhando como uma bomba relógio para despertarem sensações que eu não vou entender no ato, e ficarei escravo disso disso já que o gatilho mais sutil pode descambar uma sucessão de novidades velhas. E essa bola de neve só tende a aumentar nessa sociedade alucinante quando se é jovem.
Pra quem viveu a depressão por achar que o futuro nada mais tinha de relevante, taí um bom aprendizado de algo ainda mais desesperador: quando o passado vira novidade. E se a idéia de morte é o que causa a desesperaça no futuro, é a idéia de vida que causa o medo do passado. E taí algo com a qual um depressivo suicida crônico não convive: medo. E quer saber, pela primeira vez desde que fui curado eu abandonei o quase das frases que tanto disse por aí: “Não era eletrizante, era confortante. Quase valia a pena.”

2009, a discografia.

Diferente de 2008, 2009 eu realmente fiquei outsider. E dessa vez, apesar das listas bem singulares que vieram por aí, pouca coisa realmente me chamou a atenção nelas como em 2008, onde descobri uma caralhada de bons cds fuçando nelas. Esse ano, amigos me deram recomendações bem mais gratificantes (Passion Pit e XX, por exemplo) que listas. Mesmo assim a lista vai sair consideravelmente mais curta e o motivo é simples: não ouvi 2009 em 2009. Uma amostra, meu top 10 dos últimos 12 meses do last.fm vai explicar o que houve: 1 The Cure 2,830 / 2 Saint Etienne 1,186 / 3 Sufjan Stevens 1,136 / 4 My Bloody Valentine 1,121 / 5 Belle and Sebastian 935 / 6 Loreena McKennitt 838 / 7 Air 832 / 8 The Beatles 792 / 9 Rilo Kiley 786 / 10 PJ Harvey 780. Apenas PJ Harvey desse grupo lançou material inédito, e mesmo assim não contabilizado no nome dela em meu last.fm, já que foi uma colaboração com John Parish, o que significa que ouvi mais as músicas antigas dela que o projeto novo que ela lançou esse ano. “Ah, mas o Saint Etienne lançou coisa nova”… sim, duas músicas. O resto foi remix. E aqui estou falando de material inédito. Por mais que tenha amado de paixão o Foxbase Beta, ele não constará nessa lista. Mas fiquem tranquilo, pois fiz questão de deixar apenas um ou outro guilty pleasure que realmente não ficou no nível desse cd, os outros realmente recomendo fervorosamente.

Os 10 +:
1 Merriweather Post Pavilion – Animal Collective
No período de 00-09 provavelmente apenas dois anos foram simples de se retirar um álbum do ano: em 2004, quando o Arcade Fire desmantelou barreiras com música maior que opiniões e em 2009, quando, após uma década inteira de strikes, o então trio Animal Collective lançou seu álbum mais coeso, eficiente e palatável, funcionando como uma peça única de composições que quebram expectativas a cada guinada numa direção que o álbum tome, como quase todo álbum do Animal Collective até então. Rico em imagens, em texturas, o álbum costura algo inacreditavelmente doce através de sons hipnóticos que puxam o ouvinte a um estado de encantamento que é claramente não datável e sem prazo de validade, como quase todo álbum do Animal Collective até então. Além disso, Merriweather Post Pavilion acena para uma realidade que transcende a atual, falando de coisas simples numa embalagem sonora cheia de força, que nos confronta sobre o que estamos fazendo enquanto nos mostra o que estamos perdendo, sendo mais que um atestado de talento, mas uma obra com vida própria. E nesse caso, é a primeira vez que o Animal Collective chega a esse resultado. E provavelmente a primeira vez que uma banda chega desde, bem, desde o Funeral.

2 Embryonic – Flaming Lips
Confuso, estranho, fragmentado, inchado, desleixado, Embryonic é um álbum que, assumo, talvez esteja superstimando, já que poucos álbuns tão cheios de palavras pejorativas necessárias para ser descrito saíram do forno. Mas Embryonic, assim como o Kid-A, sofre do mal de mudança de direção: Flaming Lips passou uma década priorizando composições onde a assimilação era instantânea e sem fronteiras entre ouvintes. Embryonic, por outro lado, apresenta faixas que mais parecem idéias incompletas, os vocais parecem não respeitar os intrumentais, as manipulações nas gravações claramente dificultam o acesso ao álbum e voz de Wayne não surge em uma boa parcela das faixas. E em meio à essa cacofonia, se suas reservas baixarem, você entrará em contato com belezas inegáveis como The Sparrow Looks Up At the Machine, Powerless e Worm Mountain convivendo com anomalias como Convinced of The Hex. Nada convidativo, Embryonic testa o ouvinte sempre que pode, mas o ouvinte que se aventura descobre um álbum rico, visceral e acima de qualquer palavra pejorativa que o defina, belo.

3 Wolfgang Amadeus Phoenix – Phoenix
Com um nome pretensioso desses é de estranhar que esse álbum do Phoenix não traga realmente nada que nunca tenha sido feito antes, diria até que melhor por outras bandas dessa década no filão do indie mais dançante. E eis aqui em terceiro lugar do ano. Não, isso não é atestado de mediocridade de 09. Essa minha escolha, fácil por sinal, vem do fato que, se normalmente uma banda indie, digamos, capturava um raio uma vez ou outra dentro de um álbum que não fazia justiça aos seus melhores momentos, foram raras as bandas que apresentaram um álbum onde cada faixa é meticulosamente gerada, onde cada nota em cada faixa funciona para o prazer do ouvinte, onde cada palavra vem bem vinda. E se ainda é possível enumerar as melhores faixas do álbum não é por haverem fillers, mas por essas se destacarem facilmente no catálogo de músicas do ano inteiro, singles ou não. Phoenix pode não ter feito o álbum mais incrível do ano, mas sem dúvida alguma fez o mais fácil de se apaixonar por.

4 The XX – The XX
Isso é mesmo uma estréia? Fico arrepiado só de imaginar que esse álbum é apenas a promessa da banda, já que até mesmo a faixa Intro é de uma beleza simplista que derruba qualquer resistência que até o mais purista old school possa ter. Trazendo o pós punk pros anos 00’s, colocando só o básico dentro de cada faixa, o que torna cada instrumento e cada passagem vocal ainda mais memorável, é simplesmente impossível escolher uma faixa como a melhor. E o casal de vocalistas é um achado, já que a sensualidade de cada faixa só aumenta com os duetos/duelos das faixas nuas que destilam idéias sobre o tão desgastado tema “A 2″ como nada antes que eu possa recordar. Oka, o intrumental lembra um Young Marbel Giants sim, mas fato é que essa música é menos cerebral e mais animal que a do grupo dos anos 70/80, e The XX assim, funciona como trilha de muito mais comportamentos humanos, pois seja fudendo ou sendo fudido, nenhum outro som de 2009 vai traduzir melhor as sensações internas que esse.

5 No Line On The Horizon – U2
Somente o fato de muitas novas bandas terem mimetizado bem os truques do U2 em suas assinaturas sonoras pode explicar que uma banda consistente e incrível como essa possua uma parcela tão grande de detratores. Mas por mais que essa parcela aumente, com cada novo álbum lançado esses irlandeses mostram porquê são uma das bandas mais influentes da história do rock. E mesmo assim No Line On The Horizon me fez cair o queixo. Falar que é grandioso, levantar os méritos de Bono como vocalista, trazer à tona o talento de The Edge para criar linhas de guitarra memoráveis na primeira audição, tudo isso é pequeno perto dos méritos desse álbum onde, apesar de quem acompanha o trabalho da banda conhecer cada truque deles mesmo surdo de um ouvido, cada faixa soa como uma composição digna de figurar entre os melhores momentos da banda, com marcações claras, o melhor vocal de bono desde o Achtung Baby e letras como não apareciam desde o Joshua Tree. No Line on the Horizon não é nada menos que o melhor álbum da maior banda da atualidade em quase 20 anos e a única coisa ruim nesse álbum é que já nasceu mal falado por detratores cegos. Pena.

6 Two Suns – Bat for Lashes
Depois do debut, ficou claro que Bat for Lashes não era um projeto meramente musical. A música servia como um dos aspectos de um projeto multimídia ambicioso de uma artista talentosa, uma combinação sempre recompensadora. Mas verdade seja dita, as pretensões da Natasha sempre são maiores que os projetos musicais que são o carro chefe de suas idéias. E embora Two Suns sofra desse mesmo mal (ambição demais até mesmo para seu talento), não deixa de ser recompensador ver uma artista se esforçar para agradar quem ela sabe que consumirá seu projeto, se aventurando para contar histórias lindas esmeradas por composições viscerais, utilizando de um arsenal musical invejável (a quantidade de instrumentos que a moça toca vai do básico de guitarra e baixo à citara) e AQUELA VOZ. Sem dúvida o grande diferencial, cada interpretação da cantora vem rasgante, não devendo em absolutamente nada às mulheres que seu som claramente presta tributo (Tori Amos, Kate Bush), Natasha compôs novamente um álbum nada datável, repleto de pérolas pop que podem até causar estranhamento, mas não indiferença.

7 The Big Machine – Emilie Simon
Sem dúvida alguma o cd que mais me surpreendeu no ano. Era admirador do trabalho da cantora, mas nem soube do lançamento na época em que ocorreu, sendo avisado a tempo de correr atrás do álbum e notar que aquela Emilie Simon que eu conhecia era uma mentira. Foi-se a voz gentil e os arranjos delicados, quase éteros que tanto admirava. Em seu lugar havia surgido uma intérprete incrivelmente poderosa, compositora opulente, revestindo cada composição de um arsenal quase orquestral que contava toda uma obra usando de instrumentais abundantes que mesmo assim soam como nada maior que uma moldura para a voz explosiva da francesa. E se antes seu trabalho podia ser visto como Emiliana Torrini encontra o Vespertine da Bjork, a nova Emilie Simon soa como se Kate Bush tivesse gravado o Post da Bjork. E por mais que ambas tenham seus meritos, essa nova faz a antiga empalidecer em absolutamente todos os sentidos que se possa comparar.

8 Fever Ray – Fever Ray
Dou todo o direito a quem quiser de me criticar com a colocação que farei, mas The Knife, até então, é um projeto muito overstimado. Sim, eles fizeram uma das melhores músicas da década, mas nem mesmo Silent Shout, trabalho mais coeso do duo, era livre de críticas, e se tornou cansativo mais rápido do que esperava. Mas qualquer problema que eu tinha com The Knife se foi com o trabalho solo da vocalista Karin, o Fever Ray. Cumprindo a promessa sonora do Silent Shout, Fever Ray é um projeto eletrônico único E memorável, que passeia por esferas musicais da era do rock, do post-rock ao new wave, tendo como principal atrativo uma das vocalistas mais reconhecíveis da atualidade cantando soberbamente faixas sombrias e/ou melancólicas, sendo no todo um monolito musical difícil de ser ignorado após ser descoberto e apontando para novas possibilidades dentro de uma das áreas mais exploradas da música atual de forma sutil, jamais tirando a atenção para o que realmente importa: boas faixas que compõe um álbum estupendo.

9 It’s Blitz – Yeah Yeah Yeahs
Da categoria de álbuns gostáveis, Yeah Yeah Yeahs já é velho conhecido. Fever to Tell é um dos álbuns mais fáceis de se apaixonar feitos nessa década, e não são poucos os méritos da banda em mudar o curso da banda a cada álbum desde então. Mas se de Fever to Tell para Show Your Bones a mudança foi pesada, de Show Your Bones para It’s Blitz a mudança foi como uma lufada gigantesca de ar fresco. Não por um som menos denso, já que o noise famoso da banda ainda existe até nas faixas mais gentis. O ar fresco vem logo na abertura, onde a banda se solta como nunca antes, apelando para o eletrônico com força junto ao seu som enérgico, e mesmo que ocasionalmente o álbum perca o fôlego não há como negar que quando arranca, o álbum decola despretensiosamente rumo às pistas de dança (sim, as faixas uptempo são de longe as melhores), tão energicamente que possa ser desgastante, mas jamais fraco ou tedioso.

10 Album – Girls
Nenhum álbum esse ano começou tão bem quanto esse. A banda de San Francisco desaguou rapidamente suas guitarras e fez questão de mostrar que seu álbum não seria um mero álbum que cheira à saudosismo de tempos que os integrantes não viveram. E Lust For Life representa bem o espírito do álbum, tão bem que nenhuma outra faixa é capaz de torcer a cabeça de quem for ouvir o álbum. Mas não por falta de bons atributos, já que a sonoridade que pega o lo-fi dos anos 90 e traveste de rock californiano dos anos 60 é algo pouco datável e certamente tem seu charme. Além disso, apesar de não ter uma das vozes mais deliciosas, a forma como canta frases como “You’ve been a bitch/I’ve been an ass/I don’t wanna point the finger/I just know I don’t like this” e torna isso de uma doçura incrível é algo que poucas bandas tem atualmente a seu favor. Culpem fatores como idade, a história da banda, o que for, só sei que Album é um álbum cuja a anacrônia é seu maior mérito e cuja simplicidade é sua maior virtude.

Outros álbuns que SEGURAMENTE valem a se pena ter, por ordem alfabética de artista:

The Element of Freedom – Alicia Keys ****
Don’t Stop – Annie ****1/2
Logos – Atlas Sound ****
Scars – Basement Jaxx ****
My Maudlin Career – Camera Obscura ****
Bomb In A Birdcage – A Fine Frenzy ****
Lungs – Florence + The Machine ****1/2
Veckatimest – Grizzly Bear ****
Post-Nothing – Japandroids ****1/2
JJ nº2 – JJ ****
La Roux – La Roux ****
Middle Cyclone – Neko Case ****
The Fall – Norah Jones ****
Manners – Passion Pit ****1/2
I Feel Cream – Peaches ****1/2
Far – Regina Spektor ****1/2
Junior – Royksopp ****
Santihood – Tegan and Sara ****
Two Dancers – Wild Beasts ****1/2

EPs que merecem marcação:

Ayrton Senna EP – Delorean
Fall Be Kind – Animal Collective

Os que fizeram barulho e não ouvi até hj:

Only Built 4 Cuban Linx… Pt. II – Raekwon
Blue Record – Baroness
Monoliths & Dimensions – Sunn O)))
Revolution – Miranda Lambert
Journal For Plague Lovers – Manic Street Preachers
I And Love And You – The Avett Brothers

Atenção em excesso que ainda não entendi (posso mudar de opinião):

Bitte Orca – Dirty Projectors
Sabe quando você vê que a coisa é bem intencionada, que tem coisas realmente incríveis ali no meio, mas que no fim das contas o pretensiosismo da coisa fica óbvio e por melhor que seja você acaba achando que foi pouco. Pois é… Não, não é ruim. Mas acho que dá pra achar mais de 100 álbuns na década melhores que esses, pitchfork. Dá pra achar pelo menos uns 10 esse ano, né?
Wilco (The Album) – Wilco
Sinceramente, prefiro não comentar muito já que Wilco tem dois dos cds que pessoalmente coloco entre os melhores já feitos. O que, refletindo, só torna a situação desse álbum ainda mais constrangedora. Só digo que por causa de álbuns assim tenho que ouvir que Wilco é banda de quem vai pra show pra descansar.
The Blueprint 3 – Jay-Z
Pelo menos não é um fiasco tão grande quanto o Blueprint 2. Naquele o maior mérito era a Beyoncé, nesse é a Alicia Keys.
The Fame Monster – Lady GaGa
Desistam, ela NÃO é artista de álbum. 4,5 estrelas pro the Fame, allmusic? 4 pra esse EP? Pelamor…
Love vs Money – The-Dream
Um 83 no metacritic para um álbum que encapsula tudo que o hip-hop tem de mais descartável atualmente? Really? Cheguei a me render até por um ou outro som do álbum, mas era só prestar atenção na breguice sem fim das letras que a coisa ficava realmente intragável. Sério, não.

Lembrando:  opinião de um leigo!

ps: Trollei, era álbum pra caralho!

Summer feelings

Warm inside, wet outside, full of butterflies and pretty much empty.

Estréia. MINTE!

Sim, eu sou fã da Annie, acho Anniemal O álbum pop dos 00’s e Don’t Stop será muito bem digerido em posts futuros, mas por agora só preciso dizer que Annie vive e nós agradecemos.

E amanhã, The Spell do Alphabeat pra vocês. (:

Updates

Eu não tenho como dizer que vou reativar esse blog, mas prometo ser menos espasso que de costume. Vou reativar e concluir ambos os contos até o fim de novembro (/promessa)(dedos cruzados).

Fato é que minha vida tá uma loucura e  esse blog é sobre minha vida. Mas atualmente não rola de ter uma loucura E ter tempo de escrever sobre ela tendo q escrever sobre tanta coisa. Mas como vou poder escrever os contos, novas coisas virão.

E ah: novidade a caminho com musicisnottheenemy, um blog apenas sobre música deu e um parceiro de soulseek.

No mais, até breve.

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Spring Feelings

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Já comentei que essa é a estação mais filha da puta? Não? Esperem até amanhã.