Dicas para um dia mais up! (Leslie Feist)

AVISO: Na falta de tempo, clique em qualquer vídeo e veja. Tire pelo menos 3 minutinhos do dia, não vai se arrepender.

Foi-se o tempo em que videoclipes eram uma mídia influenciável. De 2002 pra cá, assisti um certo declínio da indústria fonográfica como um todo alarmante, envolvendo a queda da MTV como um fator alarmante. Nos anos 80 a chamada geração MTV viu seus artistas favoritos como Cyndi Lauper, Michael Jackson, A-HA, Madonna, Guns N’ Roses, Paula Abdul, entre outros, superarem fácil fácil as 10 milhões de cópias vendidas apenas nos EUA. Hoje em dia um álbum que atinge essas vendas no mundo (Back to Black, da Amy Winehouse é o exemplo atual) consegue a proeza de ser o mais vendido em 2007 e um dos mais de 2006 e com certeza será nesse ano também. Mas na época em que um videoclipe atraía a mídia, como em Thriller, um álbum conseguia ficar 39 semanas reinando nos charts enquanto todos ficavam fascinado por aquela mistura de cinema e música que atingia seu auge, descobrindo seus limites.

Hoje em dia é muito difícil se encantar com videoclipes. O youtube é um fenômeno da net, mas tirando as mídias de apelo adolescente, poucos vídeos despertam muita atenção e raramente por seus méritos próprios. O post aqui tratará da minha artista favorita nessa mídia dos últimos 4/5 anos. Leslie Feist. Muito provavelmente quem acompanhou o mundo da música no último ano viu essa canadense figurar em várias listas de best of, concorrer a vários prêmios como Grammy e Juno e fazer bonito no Itunes, colocando o carro chefe do seu álbum The Reminder como top 40 nos EUA e seu álbum sendo o mais vendido do ano na Itunes Store. Vários fatores contribuíram para isso (incluindo o principal: figurar no comercial do Ipod nano), mas a conquista maior dessa música em escala mundial se deve principalmente ao vídeo. Sim, o videoclipe, que ficou em segundo lugar na lista dos melhores vídeos do ano da Rolling Stone Magazine, foi dirigido pelo colaborador comum da carreira solo da cantora, o diretor Patrick Daughters. Com alta rotatividade nas mtvs mundo afora, o vídeo tem, em sua postagem mais vista, quase 10 milhões de vizualizações no youtube. E tudo isso numa aparentemente única tomada coreografada com dezenas de pessoas vestindo roupas coloridas num cenário fechado. Simples, eficiente, impecável, criativo… nada menos que genial.

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Qualidades presentes em TODOS os vídeos da cantora. Feist começou na música solitária, com um EP que foi lançado apenas no Canadá que de tão raro já chega a custar a bagatela de $500 no Ebay. Mas a fama viria mesmo com a fundação da super grupo musical Broken Social Scene que, ampliando os limites do que seria uma banda, lançou no segundo álbum, You Forgot It In People, uma coleção de músicas que iria pavimentar a sonoridade indie e abrir espaço para propostas como Arcade Fire vingarem, ao alcançar apelo de crítica e público, fazendo uma tour com shows lotados pelos EUA e Europa. E foi durante essa tour que, trabalhando no que chamaria de The Red Demos, juntou material que foi lançado com a ajuda de um amigo como o primeiro trabalho com uma gravadora, Let it die. O álbum nasceu clássico no Canadá, onde já figura em listas dos melhores de todos os tempos. E se considerarmos que Canadá é terra de lendas da música como Joni Mitchell, Neil Young e Rush, além de terra das megavendedoras Alanis, Shania Twain e Sarah McLachlan (que possuem seus clássicos particulares), dá pra notar que foi um começo notável. Notável como os clipes que produziria. Num 2004 cheio de blings, Feist trazia coreografias curiosas e linguagem simples em seus clipes, traduzindo as letras nas imagens de forma doce e suave. Patrick produziu uma das versões do primeiro single do cd, a baladinha Mushaboom, onde aparecia a cantora de eletroclash Peaches, uma das figuras mais arredias do meio musical, em flashes rápidos, como puxando o pé de uma Feist voadora ou segurando um tridente. Fora da direção de Patrick, o segundo single do cd Let it die teria um vídeo mais simples que, lançado antes da versão de Patrick de Mushaboom, concorreu ao Juno de vídeo do ano (quando ainda era uma novata). Tratava-se de One Evening, uma das letras mais simples e efetivas do cd (afinal, o apelo de um encontro completo de uma tarde é algo forte e universal), e um clipe que, por meramente traduzir a mensagem da letra, merece destaque na videografia da canadense. (Link para o vídeo aqui, já que a colagem foi proibida pelo server: One Evening).

Aqui vai a versão de Patrick de Mushaboom, que fica entre Weapon of Choice do Fatboy Slim e qualquer musical Disney.

Adicione a isso os vídeos de Patrick para o sucessor do Let it die, o vencedor do Juno e indicado ao Grammy The Reminder, que, além do fabuloso 1234 teria como singles a pulsante My Moon My Man e a enérgica I feel it all, escolhidas a dedo para receber vídeo num cd que, apesar de não atingir o nível do anterior, produziu músicas isoladas tão boas ou melhores que as do anterior, com produção mais polida (apesar da pressa, já que foi gravado em uma semana durante tour, em Paris). Feist trabalhou com Patrick novamente nos vídeos e My Moon My Man recebeu coreografia do mesmo que fez a de 1234. Mas, rimando com I feel it all nas luzes e apresentando a cantora, sempre linda, formam um bloco de vídeos que coloca Feist sem dúvida alguma como a artista de melhor videografia da década (E nem mencionei os vídeos de Inside and Out e os do Broken Social Scene), ampliando as idéias dos primeiros vídeos que traduziam as músicas e trazendo agora rimas com as melodias também, ao invés de antes onde mais pontuavam em algumas partes, o que era fofo porém simplório. E uma rápida visita nesses links é o suficiente para um gás extra no dia, por trazer música boa, idéias criativas, beleza e, por quê não, genialidade.

My Moon My Man:

I Feel it all

Uma resposta para “Dicas para um dia mais up! (Leslie Feist)”

  1. giovanealex diz:

    Ois!
    Ela ainda não ganhou status de artista favorita na minha vida cultural – tem artistas que são assim comigo, demoram mesmo a engrenar…se engrenam. Contudo, isso não quer dizer que eu não goste dela, eu gosto sim. Adoro os vídeos que você citou aqui, bem como as músicas – gosto até mais do The Reminder, por sinal. E por falar em Broken Social Scene, você conhece uma das outras integrantes desse coletivo, a Emily Haines? Não apenas o trabalho dela com a sua “banda oficial”, o Metric, é muito bom como o seu trabalho solo melhor ainda. E já que falaste de clipes, o vídeo dela de “Doctor Blind”, dirigido pelo Jaron Albertin, é brilhante – não é nada “up”, mas é fabuloso, assim como o é a canção.
    Aproveito pra agradecer o link pro meu blog – obviamente que vou devolver a gentileza, não apenas como retribuição, mas por ter gostado do seu blog também.


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