Chasing Pavements – Adele
Provavelmente o grande hit do inverno inglês, Chasing Pavements é como uma refeição farta servida em um restaurante de primeira. A produção magnífica dessa faixa mantém cada ponto alto do cd da Adele ainda mais claro que nas outras faixas, servindo em uma única faixa um resumo de um dos melhores cds do ano. É grandiosa, tem um dos refrões mais poderosos do ano, tudo isso cantado por uma das melhores vozes do cenário musical atual. Imperdível.
I Know ur Girlfriend Hates Me – Annie
A club queen dos críticos lançou esse ano um single que mostra que ela não é um cachorro de um só truque. A introdução vocal reverbera na cabeça, adiantando a batida divertidíssima dessa música, cantada num tom sexy mas nada frágil. Essa música, mais eletro que o comum no Anniemal, é de longe a melhor faixa do cd que vazou esse ano. Também, é melhor que muita coisa do estupendo primeiro album da garota.
Becky – Be Your Own Pet
Como uma das músicas mais cativantes pode ter sido censurada do cd? Que o Be Your Own Pet lançaria as 3 faixas censuradas num EP, tudo bem, mas Becky, apesar da letra cruel, ecoa humor e vitalidade, com vocais teens, melodia fresquinha de inspiração um tanto old school e uma narrativa das mais divertidas em anos, não é o tipo de canção que faria alguém REALMENTE esperar sua ex-amiga traíra com uma faca. É afinal uma das coisas mais divertidas em anos a ser composta (Fui só eu ou mais alguém sentiu uma vibe dyke nessa música?).
Untrust Us – Crystal Castles
Conheci Crystal Castles num episódio de Skins. Não baixei assim que vi, fui baixar mais tarde por dica de uma amiga. Bem, talvez seja meu problema com faixas de abertura e achar que os artistas ficam sempre tentados a servir a melhor porção no começo, mas Untrust Us abre o álbum com um pé direito, com o sample meio hipnótico, vocais robóticos e uma batida bem marcante, sendo o tipo de faixa que você só para de ouvir quando se toca que tá a uma hora ouvindo.
Warwick Avenue – Duffy
Mercy não é um guia para o cd da Duffy. Com melodia retrô, um baixo libidinoso e os melhores vocais de todo o cd, Warwick Avenue é um triunfo entre triunfos do mid-tempo, que impera no Rockferry. E a letra, que mostra um certo resgate de alguma dignidade, tem uma cadência memorável. Uma das melhores baladas em um bom tempo.
Fireheads – Emiliana Torrini
Novamente minha tara por faixas de abertura. Num álbum tão variado e ambicioso, Fireheads passaria despercebida com sua longa introdução e sua melodia, ainda agarrada ao Fisherman’s Woman. Mas a faixa cresce no seu tempo, com a letra dolorida e a voz suave de Torrini num modo meio Regina Spektor-ish de cantar apenas tenta abrandar o que não dá: uma das mais poderosas canções de separação da década e um ponto alto na carreira brilhante da cantora.
No Substitute Love – Estelle
Você está ouvindo Faith do George Michael e então entra Let me Blow Ya Mind. Hits poderosos. Mas com aquela voz única, Estelle pode chupar o sample que for, no final você estará pensando em como a música é fresquinha e viciante. Aliada aos samples, que dão uma carne de primeira no recheio desse corpo, No Substitute Love é o grande exemplo de Black Music do ano. Sofisticada, letra poderosa, voz forte, um single pop quase perfeito.
White Winter Hymnal – Fleet Foxes
Ok, o cd do Fleet Foxes não é um cd que explode sozinho, mas mesmo assim essa música sabe roubar a atenção, usando de frases de efeitos, uma melodia que parece ter vida própria, intrumentação de primeira linha que mais parece saída de um estúdio caseiro, parece uma daquelas músicas que você escuta e pensa que deve ter sido clássico em algum momento da história da música. Bem, se há justiça ainda nessa indústria fonográfica, algum dia essa música será.
Paris (Aeroplane Remix) – Friendly Fires ft. Au Revoir Simone
Esqueçam a versão original! Sério! Largando os vocais nas mãos das meninas do Au Revoir Simone, desnudando a música e revestindo ela com roupagem algo glam, muito new wave, são 7 minutos de pura masturbação auditiva! Não curto muito esse lance de remix, mas esse remix ganhou vida própria com uma música que nem era lá grandes coisas, e por mais que soe um tanto quanto datável, ainda assim é deliciosa o suficiente para valer mais a pena que muitos cds inteiros lançados esse ano.
The Loving Kind – Girls Aloud
Era de se esperar que uma lição tivesse sido aprendida com Call the Shots, melhor single da carreira das Girls Aloud até então. Mas cães velhos sempre tem algo a ensinar. E quando os Pet Shop Boys deram uma liçãozinha para as Girls Aloud o resultado foi talvez a melhor música pop do ano (e minha preferida desde Heartbeat, da Annie). O ar glamuroso/grandioso que não sabe ser balada pois insiste em martelar a pista de dança sem tirar a melancolia da cabeça é truque antigo dos Pet Shop Boys (Olá Being Boring), mas harmonizou perfeitamente com as vozes das Girls que tem seu tempo para brilhar sozinhas. Brilhante.
The Promise – Girls Aloud
Amy era a rainha, Adele e Duffy despontavam como princesas, mas a coroa do revival dos anos 60 foi usurpada por esse quinteto com uma música, chupando os anos 60 até o talo, aproveitando ao máximo o fato de que elas são um Girl Group, a extrutura repetitiva da música funciona para martelar o refrão impecável da música depois de cada uma ter sua spotlight. A união realmente faz a força.
Flowers & Football Tops – Glasvegas
A violência emocional dessa faixa foi algo sem paralelo desde que o Arcade Fire gritou sobre a sua vizinhança. A história já começa muito estranha quando a parede de som engolfa os vocais gritados com uma pergunta: “baby/why you not home yet?” Com imediata lembrança de um Arcade Fire (mesmo que James Allan não seja lá um Win Butler), o epico magistral balanceia conflitos internos com ambições externas de forma delicada numa catarse de vocais incontidos, guitarras fortes, uma bateria semi-marcial, tudo de assimilação imediata.
Geraldine – Glasvegas
Encadeada à faixa anterior, Geraldine é um curioso híbrido de melancolia e esperança. Uma melodia que nos faz perguntar onde foi parar a magnitude do trabalho da trupe de Bono numa das letras mais viscerais sobre uma relação a dois que já foi escrita, Geraldine é a tradução de um sentimento incendiado em harmonia musical, melodrama que não se contem e que não permite que o seu exagero seja visto como falha, mas como virtude. É música que move, que convulsiona, algo raro nos dias de hoje.
A&E – Goldfrapp
Goldfrapp sofreu esse ano mais do que no lançamento do Strict Machine. E embora o álbum seja meio irregular, Seventh Tree tem como mérito a composição mais eficiente da carreira do duo. Instaneamente memorável, A&E é uma canção pop como nenhuma outra na discografia do Goldfrapp: melodia dócil, extrutura ligeiramente simples, com uma das melhores performances vocais de Allison, a música cresce devagar com as cordas fazendo uma moldura aos vocais suaves na letra dolorosa, interpretatda com inteligência no que seria o ponto ideal, chegando a um clímax antes do final que congela essa música na cabeça, impedindo a saída dela por muito tempo, e se tornando ainda mais intensa com cada nova audição. A escolha do ano para mim.
Blind – Hercules and Love Affair
Ok, então esse ter sido o single do ano pela Pitchfork é um certo exagero e Hercules and Love Affair podem ter sido inexplicavelmente alçados ao posto de reis das pistas, mas essa música é a melhor pista de todas do porquê de tanta muvuca: uma música disco ligeiramente desconfortável, mas aquele desconfortável que você via nas melhores músicas do Michael Jackson, com um instrumental elegante e uma batida tradicional que ainda assim escapa de ser datável. Ao menos por hora. E essa ode às old schools tão fresca, sendo virtualmente sem pontos negativos, cresce ainda mais em impacto.
Rock With U – Janet Jackson
Mesmo tendo vindo de dois álbuns decepcionantes, Janet Jackson acertou a mão no Discipline, cujo ponto alto é essa música, com vocais acertadamente sexys e uma produção que exala algum futurismo old school. Rock With U da Janet não é um clássico como a do irmão, mas é uma das melhores composições pops do ano, com letra boba e vocais quase nulos no meio da produção e da batida 4/4. Janet não é um prodígio vocal, mas é uma das mais hábeis artistas da pista de dança. Sem perder o poder em momento algum, Rock With U é mostra de talento de uma raposa velha que sabe quais os melhores novos truques.
Hot n Cold – Katy Perry
Pink? Britney? Aguilera? Em era de internet, esses três nomes podem do nada pesar menos que o de uma garota que até então tinha um single de myspace e hoje é a artista feminina mais tocada no mundo. Mas se I Kissed a Girl tinha tanto desconforto, em Hot n Cold a novata Katy Perry estava em casa. Com uma letra divertidíssima, usando de uma misoginia para detratar um homem (!), uma voz parecida com a da Kelly Clarkson e uma produção meio eletro-rocker bem simplezinha até, Hot n Cold é diversão rápida, cortante e instântanea. Britney, comece a tomar notas.
Human – The Killers
Posso ter meus problemas com o Killers, meus problemas com o Stuart Price, mas vendo Human eu me pergunto se aquela lei da matemática de menos com menos dá mais funciona na música também. Não é minha preferida do Killers, mas é aquela que aponto como a melhor da carreira deles. Se o ridículo sempre fez parte da carreira deles, aqui ele a coisa extrapola noções (“Are we human/or are we dancer” …), auxiliada pelos exageros comuns do Stuart Price, mas a faixa simplesmente galopa a partir do momento em que toma forma, com uma intensidade como o Killers nunca atingiu antes e como poucas faixas do rock esse ano atingiram. Talvez a falta de senso de ambos tenha gerado uma faixa sem medo, talvez tenha sido milimetricamente calculada, mas a verdade é que impossível não se mexer a partir do fim do primeiro refrão. Surpresa do ano.
Cheap and Cheerful – The Kills
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Se essa não é a letra mais escrota do ano, talvez a tosse no começo, o vocal meio blasé da Alison Mosshart ou você não conseguir se conformar que apenas duas pessoas fazem esse som, a linha de baixo que fica gravada feito fogo na cabeça, a ser música é multi-tarefas: boa para dançar, como trilha sonora de uma bebedeira, de uma pegação (para trepadas, U.R.A. Fever supera), tudo isso em menos de dois minutos e meio, sejam motivos para considerar essa música uma das melhores do ano. Quase assustador.
Sex on Fire – Kings of Leon
Nâo é apenas pelo Caleb estar lindo no clipe, essa música foi o Kings of Leon para massas. Não é uma música que vai ser premiada na originalidade, mas é intensa o suficiente para merecer respeito, sendo absurdamente sexy para uma música de vocais masculinos (claro que o Caleb é um vocalista que tem talento de sobra, como já provou antes), ainda mais no meio da guitarra nervosa. Sex on fire é Kings of Leon sem rótulos, é grandiosa, é merecidamente o maior sucesso da carreira deles.
Poker Face – Lady Gaga
Certo, ela é um cachorro de um truque só. Mas vamos ser sinceros: esse truque é brilhante. E Poker Face é a melhor execução desse truque em todo o cd de estréia da menina. A voz da moça surge com um parentesco com a da Aguilera, mas ela evita qualquer exagero, mantendo batida e sintetizadores no mesmo controle. É dancefloor despido, usando o necessário, com uma ou outra brincadeira que fica meio alien no meio da música, mas o basicão sendo a estrela. Animada, grudenta, divertida de se cantarolar e ótima para dançar, Poker Face ainda tem muito pra render.
Back of the Van – Ladyhawke
Alguém me recomendou uma música de uma neozelandesa que tinha um jeito meio Chryssie Hynde de cantar. A música era Back of the Van. 40 audições seguidas e eu resolvi baixar o cd da mulher. Nenhuma música, contudo, me atraiu como essa, que não tem exatamente um motivo especial para ser notado. É basicão mesmo, feijão com arroz, com uma linha de baixo trilhando o caminho que a guitarra e os sintetizadores seguem, um vocal que tem realmente alguns vícios da Chryssie, a música tem apenas um dos refrões mais simples e efetivos do ano, uma construção com carne farta e, embora arroz com feijão, não houve nesse ano um mais saboroso que esse. E muita coisa mais elaborada não gerou o prazer imediato que essa faixa gerou em mim.
Real Love – Lucinda Williams
Eu não vou voltar a comentar que Lucinda Williams é a melhor liricista do momento. Ao invés disso, vamos aos fatos: Em 2007 ela fez a música do ano, uma das músicas mais tristes da carreira dela, uma que faria um fã de Radiohead ter espasmos. Agora em 2008 o ponto de partida do cd da mulher é uma história de amor groupie (!). A melodia respeita a letra, surgindo quando deve e como deve, com guitarras nervosas e bateria bem pontuada, os versos são cantados com uma força pouco conhecida na discografia de Lucinda, surgindo menos country, menos elegante, mas mais enérgica que o usual. Mais imediata.
Beat Goes On – Madonna
Hard Candy é o melhor álbum de Madonna desde o Music, mas pecou na falta de uma música que incendiasse de verdade, como Hung Up fez. Claro que 4 minutes foi um sucesso, mas menos relacionado à música em si que ao fato de ser o novo single do novo cd da maior artista feminina da atualidade. E se Madonna se dispôs a lançar um single dividido com alguém, a escolha ideal teria sido Beat Goes On. A música já começa elegante, construída de uma forma orgânica como não se via desde o Bedtime Stories na discografia de Madonna e a letra, sobre o que parece ser a nova obsessão lírica de Madonna: tempo, coloca como solução a dança. E Madonna sabe fazer dançar como ninguém atualmente, fazendo com que até os versos fluidos da música dêem ritmo a dança. Me arrisco a dizer que essa é a melhor música de Madonna desde a última gema de sua carreira: What it feels like for a girl. A sua verdadeira Into The Groove dessa década.
Kids – MGMT
Certo, o cd do MGMT não pode ser representado por essa música, mas se pudesse seria um cd infinitamente superior. Kids, primeira música da dupla, assim que termina a contagem inicial, decola como um airbus, sustentada por uma batida pulsante, com uma letra que parece ter sido contruída mais pelos sons que pelo significado em si, contando com um solo instrumental antes que o refrão se repita até o fim, ecoando um bom tempo na sua cabeça depois que a música acaba, Kids tem uma produção curiosa, meio desajeitada e nada ambiciosa como as outras faixas do álbum. Mas é na despretensão e na simplicidade que a faixa ganha em eficiência, sendo o ponto alto do álbum mais hypado do ano.
Young Love – Mystery Jets
Apesar da polêmica sobre a autoria, Young Love é um triunfo apenas do Mystery Jets. A letra é estupenda, definitivamente minha preferida do ano (tenho uma queda por essas músicas meio teenage), recheada de ooohs, tudo com uma harmonia deliciosa, contando ainda com a voz de sereia da Laura Marling num dueto que extraiu o melhor tanto do Mystery Jets quanto da Laura Marling em performance, tudo isso com uma melodia redondinha criada pelo essencial, tendo uma extrutura meio quebrada, mas inteira pontuada pelos backing vocals, estalos de dedos. É uma colcha de retalhos de acerto atrás de acerto, sendo despretensiosamente impecável. E apesar do gosto agridoce da letra, é impossível não sorrir na primeira impressão dessa música.
Raquel – Neon Neon
O Neon Neon teve músicas muito mais “sérias” no meio da proposta, mas com Raquel eles fizeram o que propuseram como em nenhuma outra música do álbum. A introdução longa não chega a ser um problema, já que a música vai se descortinando numa velocidade quase coreografada, surgindo os sintetizadores, teclados, backing vocals, mas tudo muito desnudado comparado com as outras faixas do álbum. O objetivo de Raquel é apenas ser dançante, e a produção polida extrái isso de forma tão calculada que é chocante que algo que exala preciosismo possa sair tão estupidamente divertido. O vocal é um show à parte, cantado com a devoção que a letra pede, quase como uma serenata new wave, como se encarasse a piada com seriedade e tornasse a coisa mais eficiente ainda.
The Shock of the Lighning – Oasis
Desde Stand by me do Be Here Now um single do Oasis não valia a pena de verdade. Embora eu tenha uma amizade por Songbird e The Masterplan tenha sido lançado como single na coletânea (é muuuito anterior), The Shock of the Lightning é o Oasis de volta a boa forma. A música tem acima de tudo um imediatismo que as outras faixas do Dig Out Your Soul não contruíram nessa intensidade, trazendo toda a pompa que uma banda como o Oasis pode ter (mesmo sem merecer). Com uma verdadeira parede de sons, a faixa tem uma vitalidade que desapareceu no primeiro cd do Oasis (e que ainda permanece o melhor deles). Dou o braço a torcer que esse cão de um truque tem o truque mais intenso do rock atual.
Nylon Smile – Portishead
Portishead havia apenas brincado com o gloom no segundo cd, que parece um pouco menor desde que o Third foi lançado. E Nylon Smile, embora não tão imediata quanto Machine Gun, ao menos não tem os vocais tragicamente alterados como naquela faixa, e a assinatura mais memorável do Portishead são os vocais de Beth Gibbons. Que nessa faixa estão melhores que qualquer coisa desde Roads. A letra, repleta de desespero, é interpretada por uma virtuosi do desalento, fazendo do refrão dessa música uma entidade própria, estuprando nosso emocional e nos fazendo sentir a dor dos versos (Cause I don’t know what I’ve done to deserve you/And I don’t know what I’ll do without you), tudo isso pontuado por um assustador piano, uma bateria que é quase um marcapasso e aquele trabalho de cordas que o Portishead é mestre, gerando um clima claustrofóbico e urgente e quando a faixa acaba, o alívio surge sem que se note. Forte candidata a melhor música do ano. E uma das melhores dos últimos 10.
Silence – Portishead
O Third não teve um momento de pequena surpresa, mas o choque inicial foi o mais forte de todos. Portishead vampirizou o gloom rock sem pena nessa faixa, esquecendo que o trip-hop deveria ser eletrônico, trazendo guitarras, bateria acelerada, a batida quase perdida no meio da história, a letra é uma história macabra cantada num tom desalentado por Beth Gibbons, sendo minúscula para os 5:00 da música, mas após surgir a idéia por trás dela, mesmo a mais leve, lembrando o início em português, eis que temos talvez a letra mais violenta emocionalmente do Portishead (a minha dúvida é se Wandering Stars não seria mais dramática), empacotado numa sonoridade de banda, mas que mesmo que o Portishead sempre tenha tido essa assinatura, essa música ainda choca se comparada com a discografia anterior, mas cai como luva para introduzir o Third. Silence foi de longe a melhor faixa de abertura do ano e a minha preferida desde Neighbourhood #1, do Funeral do Arcade Fire.
L.E.S. Artistes – Santogold
Batidas de palmas, vocais meio M.I.A.-ish, uma sonoridade que tem algo de B-52’s em slow motion, com uma letra forte o suficiente para merecer destaque pela coragem (mas que curiosamente devia ter sido mais ouvida por Santi se quisesse que seu álbum fosse realmente válido de merecer essa faixa), L.E.S. Artistes é um som extremamente bem acabado, que vale a pena ser levado em conta por trendsetters como tem ocorrido. Embora o ponto alto da faixa seja a letra, a faixa tem seu charme particular pela polidez, pelo instrumental delicioso e bem colocado, pontuado cada parte da faixa e pelo exercício de produção.
Lights Out – Santogold
Agora toda a ambição de L.E.S. Artistes parece simplesmente desnecessária. Lights Out, com algo meio The Go Go’s (construída por uma só pessoa), tem uma levada de alt-rock ao mesmo tempo. Pop demais para um Doolitle, alt demais para um Beauty and the Beat, Lights Out é uma canção pop tradicionalíssima, com verso, refrão, ponte, refrão, com o melhor vocal do cd inteiro, deliciosamente maroto, combinando com a letra da música, sendo dançante do começo ao fim sem o exagero de faixas mais carregadas do álbum, indo direto ao ponto. Embora não tão importante quanto L.E.S. Artistes, é uma faixa muito mais instantânea e gostosa.
Love Song – Sara Bareilles
A versão só de piano já era bela o suficiente para figurar como destaque do ano, mas mostrando que depois dos anos 90 guitarra e mulher estarão vivas para sempre no mesmo espaço, a versão do cd de Love Song é um galope de riffs grudentos, sem matar a simples, porém estupidamente bela melodia de piano que é o esqueleto da faixa. A letra, inteligentíssima, é cantada com ferocidade, emprestando energia para a faixa com mais dignidade do ano.
God Bless This Mess – Sheryl Crow
Intimismo é terreno seguro para Sheryl Crow, e nas faixas monólogos da moça notamos o talento soberbo dela como compositora. E sozinha a moça sempre mostrou que podia fazer o som de uma banda no estúdio, construíndo músicas grandiosas com um talento arrebatador. Estranho que a faixa mais impactante do novo cd de Sheryl (e seu melhor em pelo menos uma década) é uma faixa simples de voz e violão, mas ao ouvir em apenas 2:09 um resumo da nação americana da era Bush cantado de forma contida com uma melodia levemente country, não há como não sentir um arrepio ao constatar uma prova indubitável de talento como essa, um daqueles momentos que definem carreiras.
Gobbledigook – Sigur Rós
O Sigur Rós já ganhou um status quase mítico nos dias de hoje. Eu conheci MUITO recentemente o som dos caras e embora o êxtase causado pelo estranhamento dos trabalhos anteriores, delicados e grandiosos, seja realmente grande, é estranho que as quatro primeiras faixas do novo trabalho deles, faixas mais simples (estamos falando de uma das bandas mais difíceis de se digerir na atualidade) fazem o resto do álbum, que tem cara de feito para satisfazer a fan-base, parecer menos vivo. O cerebral do Sigur Rós pode ser brilhante, mas é na imagética ingênua, na percursão violenta, nas cordas delicadas e nos lalalalas dessa faixa de abertura que a vida pulsa mais forte em toda a discografia da banda.
Inni Mer Syngur Vitleysingur – Sigur Rós
Ainda mais acessível que a passada, essa faixa tem a mesma vivacidade, com a delicadeza orquestral e uma das mais belas letras (se as traduções que eu li são confiáveis) da década, essa música comporta, em quatro minutos, dois clímax violentíssimos (se é que isso é possível), o que é um choque considerando o talento do Sigur Rós de fazer músicas longas pra caralho que às vezes passavam despercebidas como unidade. Sinal de que essa banda ainda tem muito a oferecer e desenvolver, para a sorte de quem curte música de qualidade.
Hey Stephen – Taylor Swift
O guilty pleasure da lista, Taylor Swift com 18 anos de idade é a atual maior estrela do mercado mais tradicional da música norte americana, o country. Ouvi de uma amiga que ela é uma espécie de Sandy dos EUA, o que tornou ainda mais guilty esse pleasure. Mas ouvindo a declaração da garota, cantada com cuidado para aproveitar a vantagem da voz que ainda não é de mulher, destilando inocência numa letra bem articulada, a música é radiofônica até a medula, mas extruturada por uma melodia contagiante, sendo aquela música que te vence pela fofura. E o 83 no metacritic pro álbum, tendo essa música quase sempre como destaque, mostra que muita gente se rendeu.
DLZ – TV on the Radio
Do Dear Science, só ouvi 3 músicas, as 3 chocantes de tão fortes. Mas DLZ fisga o título do álbum e, tecida no meio de sons eletrônicos ao redor do instrumental catártico, com tempo para lalalas em meio a uma das letras mais bem contruídas, por explodir em sentimento sendo absolutamente cerebral, DLZ é incômodo, é catarse e, sem conseguir achar um estilo para ser definida, é puro state of art do rock, cantado com uma energia que empalidece muitos gurus do rock atual. Apesar de ter ouvido qualquer coisa sobre faixa pós 11/09, essa é muito mais antiga, e por isso mesmo muito mais importante. Nasceu timeless, o típico trabalho de gênios. E olha que ainda não conheço o trabalho da banda a fundo, só o Cookie Mountain
A-Punk – Vampire Weekend
Indies, podem se orgulhar denovo. Se o Broken Social Scene tinha implodido de vez o indie rock simplista, o boom dessa faixa do Vampire Weekend tem algo a dizer. Se o cd foi aclamado pelas composições criativas, pela inventividade, pouco importa. A despretensão, os versos rasgados, os gritinhos, a voz jovem do Ezra, isso é música básica, rasgada, eficiente, guitarra, baixo e teclado criando energia, é um soco de vitalidade que o rock tava precisando a muuuuuuuito tempo.
Cape Cod Kwassa Kwassa – Vampire Weekend
Algo que chama a atenção no som do Vampire Weekend são as influencias de sons da áfrica no meio do rock universitário. Senti uma coisa meio caribenha nessa faixa, mas é a mais world do cd inteiro, o tipo da coisa que M.I.A. faria se fosse uma rock star. Com cara de música antiga que você dança até hoje, um q de descaso na consrução da faixa, com vocais que parecem se guiar sodinhos e forçam o resto a entrar no tom, a faixa tem uma imagética primorosa e um brilho nas guitarras old school, que mostram que os meninos sabem onde estão pisando, sendo muito radiofônica mesmo sendo tão diferente do som atual. É a verdadeira prova de talento dos rapazes.
Lembrando: opinião de um leigo.