A garota eu conheci em 2005. A música eu
conheci em 2006. Foi nossa canção juntos. Ela só se vestia de branco, eu era alguém que devia sair da adolescência. Mas com ela eu virava criança novamente. Nos conhecemos ao vivo em 2007, mas sinceramente foi desnecessário, eu já estava preso à ela e me soltar só mesmo pela morte, certo?
Não, a vida pode fazer isso com as pessoas. Eu reconheço agora como esses 3 últimos anos foram fantásticos a seu modo, onde vivi como nunca. Mas eu reconheço também que não vivi 3 anos, vivi 2, e existe um ano de fatos que eu AINDA não vivi, borbulhando como uma bomba relógio para despertarem sensações que eu não vou entender no ato, e ficarei escravo disso disso já que o gatilho mais sutil pode descambar uma sucessão de novidades velhas. E essa bola de neve só tende a aumentar nessa sociedade alucinante quando se é jovem.
Pra quem viveu a depressão por achar que o futuro nada mais tinha de relevante, taí um bom aprendizado de algo ainda mais desesperador: quando o passado vira novidade. E se a idéia de morte é o que causa a desesperaça no futuro, é a idéia de vida que causa o medo do passado. E taí algo com a qual um depressivo suicida crônico não convive: medo. E quer saber, pela primeira vez desde que fui curado eu abandonei o quase das frases que tanto disse por aí: “Não era eletrizante, era confortante. Quase valia a pena.”