Registros de outono

DSC00005Esse outono pouco usual, começou agarrado ao verão, encontrando de supetão o inverno, mas sempre atado às chuvas. Diferente do q houve em outros anos, até maio presenciamos chuvas intensas nessa cidade. O brilho do orvalho gelado matinal era encantador o suficiente para distrair do frio que veio sorrateiro e sem dó, a ponto de trazer indagações do tipo “Veio do nada” em cada não-esquina.DSC00012
DSC00020Crepúsculos retumbaram tons nunca antes vistos, silver linings rimando com os dias que chegavam de poucos agouros de um 2009 fantástico. Tudo num clima de juventude como poucas vezes Brasília viu. E claro, um recolhimento fantástico. Havia algo de aconchegante do lado de fora que trouxe à tona uma inesperada leveza, como se as pessoas não estivessem tão presas em suas máscaras como de costume.
Um outono vencedor. Mas temo pensar q o inverno se antecipou mesmo. Por isso o post hj. O caminho agora é só ladeira abaixo.

Dawn of the dead

Cada dia mais a noite em Brasília parece um filme do Romero. Não, não apenas por causa da população… desarranjada. São dois motivos mais palpáveis.

1- Zumbi tá sempre no piloto automático. Quando nada anormal acontece eles ficam zanzando de um lado o outro, o que certamente faria com que definhassem em questão de dias numa realidade. E aqui as pessoas ficam nesse piloto automático, zumbizando pelos cantos fazendo as mesmas coisas nos mesmos lugares. Eu incluso.

2- Carne fresca atrái atenção. Claro, ainda não é o caso de uma manada eufórica de pessoas correndo alucinadas, mas na essência a atitude é a mesma. Com algum grau de sutileza, coisa que brasiliense não conhece de verdade.

Take me out tonight. Where there’s music and there’s people who are young and alive…

O dia em que Brasília parou

Gente, não dei as caras ontem pois algo inédito aconteceu.
Mas antes, fatos:
1- A malha viária de Brasília, segundo dados oficiais, foi projetada para suportar tranquila um tráfego de 100.000 carros.
2- Em 2008 a frota de veículos no DF e entorno atingiu 1.000.000 de veículos.
3- Projeto de campanha do governo Arruda, o Brasília Integrada se propunha à desafogar o trânsito do DF com a construção de viadutos e ampliação de vias onte o trânsito andava garroteado.
4- Domingo é dia da Independência.
5- Passam por Brasília caminhões transportando todo tipo de produto para todas as regiões do país, de Norte a Sul.
É fato que as pessoas que moram fora de Brasília imaginam que as largas vias daqui, com caminhos bem sinalizados e motoristas com um maior respeito pelas leis de trânsito que no resto da nação brindam os habitantes do quadradinho com um trânsito fluente e tranquilo. Mas ontem tive o desprazer de um inédito congestionamento geral!

O transporte público do DF (se não o mais caro, um dos mais caros do país), passou por uma crise recente com o fim do transporte por vans nas cidades satélites, trocados por ônibus. Isso reduziu a frota pelo entorno e, como os ônibus causam uma quantidade absurdamente menor de acidentes que as vans aqui, até achei positiva a troca. Mas ontem, durante o caos, sentado no banco de um ônibus em que o espaço para minhas pernas era menor que o comprimento das minhas coxas fechadas, quis jogar uma bomba em cada ônibus de ligação que eu via furando caminho pelo trânsito parado. Um trajeto de 600m levou exatas 7 músicas da Shania Twain para ser concluído! Já seria algo anormal aqui em Brasília, mas junto disso fui informado de que o trânsito estava assim em TODAS as principais vias de saída do plano piloto. Vias de mão única com 4 pistas estavam recheadas por quilômetros de carros, ônibus, caminhões e motos parados, mantendo encarcerados milhares de brasilienses numa situação de seca e transição térmica (das 6 às 8 da noite a temperatura caiu 14 graus, e fiquei meia hora além do citado dentro do ônibus) e, no meu caso, pura abstinência.
Agora, se houve a troca do transporte por vans por ônibus, ampliação de vias, de onde surgiu do dia para a noite esse congestionamento? Olha, não sou engenheiro de trânsito nem nada, mas de Brasília eu acho que manjo algo, então vamos equacionar? Eleve o fator 1 ao expoente do fator 4, some ao 2 o resultado e multiplique pelos 10 (exato, DEZ) viadutos não concluídos numa das artérias do trânsito do DF (fator 3), e por fim some isso com o fator 5 multiplicado pelo fator 4 e você tem o, talvez, pior congestionamento da história do DF, já que dessa vez não foram trechos engarrafados, mas TODAS as saídas do Plano Piloto paradas por mais tempo que anteriormente. Não vi o noticiário local pra confirmar isso (oi, eu estava na metade do caminho pra casa num momento em que costumo estar descendo do ônibus), mas vivi o suficiente para me alarmar. No primeiro semestre, vi uma entrevista no DFTV onde um engenheiro de tráfego avisava que talvez em 2009 a cidade precisasse começar um rodízio de placas, mesmo com as obras provavelmente concluídas e o metrô ampliado. Pois eu digo que esse rodízio já deveria estar em vigor a muito tempo. Brasiliense é raça folgada. Um transporte público renovado e você vê nas filas dos engarrafamentos que uma quantidade substancial dos carros está apenas com o motorista! Acho que passou o tempo de achar que transporte público é coisa de falta de alternativa. Falta de alternativa deveriam ser os carros. Se o transporte público fosse mais usado, certamente melhoraria de qualidade a reduziria o preço (oferta e procura) e um ônibus desocupa pelo menos 20 carros daqueles que estáo travando o trânsito! Resolve? Não. Mas ajuda demais. Pena que é realmente muito mais atraente (eu sei) ficar no seu corolla com ar condicionado ouvindo seu cd do Vítor e Léo na maior altura e falando no celular, aproveitando o trânsito parado para combinar o feriado. Mas viver em sociedade não é viver o que é mais atraente para você! E Thomas Hobbes notou isso a mais de 500 anos (mas o concursado do MPU de carro tunnado que quase bateu o carro tentando ganhar prioridade sobre o ônibus que eu estava não deve ter notado isso), então acho que podemos ter um pouco de boa vontade. E se não tivermos, rodízio já!
O que não dá é prejudicar todos os setores (o prejuízo que os congestionamentos causam no país tão na cifra dos bilhões) por um conforto casual.

Take a bow

Eu já tinha ouvido por aí (last.fm) que o Muse, no palco, é uma banda quase insuperável nos dias de hoje. Achei um exagero, considerando que bandas como Arcade Fire e Broken Social Scene (exemplos estrangeiros) tem extruturas de banda monumentais. Foi aí que vi vídeos do Muse live e descobri que, de repente, não era tanto exagero assim. Mas ainda assim, 3 ingleses, sendo que o mais enérgico era um baixinho, não me parecia algo capaz de… mover. Mover que falo é como vi a Bjork, com o aparato de palco, fazer no Tim festival em SP, quando emendou músicas mais pulsantes e fez o Tim inteiro gritar. O Muse, pelo que tinha visto, usava um telão e… a banda.
Bem, fui pro porão às 18 e, por ser fim de semana, cheguei às 19, indo direto atrás do palco onde o show do Muse ia acontecer. Sapatos Bicolores tocava e eu curti o suficiente pra começar a me empolgar, mas o show que queria ver era Lucy and the Popsonics. Esse, tinham me advertido que não era dos melhores, mas eu curto o som da banda e de todas as atrações, era a que mais esperava além do Muse. Após um pit stop no bar, voltei pro palco do Muse, enquanto rolava outro show no palco ao lado, já que os Sapatos Bicolores tinham terminado. Descobri que o show dos Popsonics seria no palco do Muse e fiquei no aguardo.
Puta show, viu? Banda daqui, ambos no palco souberam empolgar, as batidas ficaram grudadas na cabeça um bom tempo depois do show terminar, e a vocal ainda desceu lindamente, trocou um contato com o pessoal da grade na minha frente (já composta 50% de fâs do Muse), e as músicas saíram tão fluidas que o show pareceu minúsculo. Bem, foi realmente curto, mas no porão os shows acabam sendo assim mesmo. Mas sei lá, isso não foi algo negativo de um todo, mesmo ficando a vontade de mais um pouquinho.
Bem, show vai, show vem, a grade na frente do palco começa a ficar lotada. Eu sempre soube que Brasília é uma cidade que não é modelo de gente gentil e educada, mas ver um bando de criança sem pai força espaço na grade e uma biscatinha arrumar um troglodita pra me arrancar da grade era algo que não previa. Bem, ocorreu. E levou embora minha chance de chegar sóbrio no show, pq depois dessa só podia encher a cara. O show do Muse se aproximava, e desde o show da Pitty, no palco ao lado, só pude esperar em pé o show do Muse, pois se brincar tinha mais gente em frente ao palco vazio onde os ingleses iriam tocar do que no da Pitty. Aliás, voltando à lendária educação brasiliense, o show da Pitty estava na metade quando a galera começa a gritar ao meu redor: MUSE MUSE MUSE. Ok, confirmado: Fãs de Muse no porão leram e seguiram à risca o manual do fã babaca. Nesse momento, se não fosse a ansiedade e o álcool, juro que veria o show de cara amarrada. Não sou fã de Pitty, mas de respeito eu sou dos maiores fãs.
Bem, show da Pitty acaba, começa um tempo de finalização do palco e engatam umas músicas. Mas notei que tinha algo estranho: as músicas eram remixes que começaram claramente como músicas do porão, mas depois foram aparecendo alguns acordes de músicas do Muse no meio das batidas. Eu tava brincando ainda de identificar de qual músicas eram quando as luzes apagam. E eis que surgem os cavaleiros de Cydonia no palco. Por mais que eu esperasse o melhor dos shows, depois de tudo que me falaram, depois de tudo que vi, eu não estava preparado pra dimensão daquela experiência. O set list foi simplesmente impecável, quase um greatest hits naquele palco. Começando com Knights of Cydonia, terminando com Take a Bow (última e primeira música do último álbum de estúdio da banda, respectivamente), foram uma hora e quarente de pura energia, a bateria orgânica doía no meu peito em algumas horas, as batidas eletrônicas faziam minhas pernas, doídas depois de 6 horas em pé, me jogarem alto enquanto pulava, e mesmo tendo perdido a voz na quarta música, não consegui deixar de gritar as 4 músicas do bis inteiras. Durante os pulos, notei que o porão inteiro tava condensado naquela área de frente pro palco. Uma maré de gente se movendo segundo às vontades daqueles 3 pingos de gente no palco que alternavam entre o mais blasé (Don) ao mais empolgado (Matt), sem nunca deixar a empolgação cair pra algo que ficasse suportável. Sim, era uma energia que pirava naquele momento, que era fora de controle, ao ponto de várias vezes, Matt ter brincado de Sonic Youth qse sozinho no palco, como se a música tivesse descarrilhado, mas ele tivesse segurando ela num cavalo de pau ao invés de meramente freiar. Quando terminou, senti que tinha acordado, mesmo que estivesse sem forças pra ficar em pé, de um momento de transe. Só sabia que tinha acabado de presenciar o melhor show da minha vida. Eu sabia do set list, eu havia sido advertido sobre o que eles faziam no palco e mesmo assim o show superou toda e qualquer expectativa que eu tinha, mesmo que a extrutura, queira ou não, não fosse das mais adequadas para um show memorável. Mas aquele show não foi nada além de memorável. Qualquer outra palavra fica desnecessária. Tirando, claro, flawless.

ps1: Matt Bellamy, no palco, com uma guitarra, vou falar que nunca vi nada tão sexy.

ps2: Antes do último acorde de Knights of Cydonia eu já estava sóbrio, pra ver o que foi a experiência.

Faltam 6 dias

Pro provável show do ano…
It’s electrifying my life

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Notícias do trânsito

Gente, aqui no DF temos pistas largas, respeito pela faixa de pedestre, engarrafamentos estão começando a pouco tempo, mas ainda não é algo desesperador…
Ainda assim, pega um carro aqui que você vai sentir um stress monumental. Eu mesmo que fico ainda no banco do carona no alto dos meus 19 anos fico com o coração na mão e com taquicardia cada vez que pego uma pista que tem aqui que vai por uma subida enorme perto de um motel. A subida do colorado. É gente louca demais.
Hoje foi O exemplo. Ter que aguentar candango que supostamente não deveria buzinar, porque o povo tá começando agora com essa perseguição, fica mais tenso ainda. Antes só era o problema da falta de respeito à distância que fazia um fdp colar na bunda do nosso carro. E é uma pressa, um vuco-vuco, vuco-vuco, e eu já falando Nós vamos bater com aquele carro atrás da gente. E isso num domingo, sem trânsito, a gente na pista do meio, que dirá num momento de rush a loucura que não rola onde engarrafa?
Por isso que não tiro carteira. Naonde que vou querer começar com o valium aos 19?

Sábado de aleluia

Eu acho criminoso um ser humano de bem ser acordado depois de uma festa pela diarista antes de completar 5 horas de sono. Tão tal que eu tinha colocado o despertador pra tocar às 14, sendo que só fui dormir umas 7 e pouco da matina. Por algum motivo religioso deturpado rolaria um almoço pascal no sábado na casa de uma amiga da minha amiga da festa de sexta. Claro que não era o motivo, a verdade é que não passava de uma proposta pra reunir amigos e beber. Então, como sabia que iam começar a ligar pro meu cel a ponto de deixar cel de puta com inveja (Oi, meu sobrenome é exagero), coloquei ele pra ser o despertador. E meio dia fui acordado com a notícia pela diarista de que o almoço em casa tava pronto.
Sinceramente, perdi a fome, fumei horrores naquela tarde, liguei pro povo que ficou de me ligar depois da primeira ligação, isso às 3 e qualquer coisa, pra evitar o ring ring ring goes the telephone e quando deu umas 5 e meia tava indo em direção ao lago com o amigo da noite anterior atrás da amiga da noite anterior também. Isso sem comer direito e sem nada pra forrar o estômago pra bebida além de fé. Fé de que não ia prestar. Mas o meu amigo cuida bem de mim e tava tranks. Aliás, o melhor desses dias tem sido essa cumplicidade foda que gerou entre eu, ele e ela. Claro, rola uma coisa cármica complementar entre a gente e nós levamos isso até um pouco a sério demais.
Foi aí que começou a descambar um pouco. Eu e ele atrás da casa dela pensamos que tinha um caminho mais curto. Mas aqui no DF não existe um atalho, é tudo no caminho fixo, impressionante a funcionalidade que eles empregaram pras ferramentas urbanas. Tâo impressionante que a nossa idéia de atalho colocou eu e meu amigo numa pista freakin scary. Ligamos pra ela na hora que subimos numa barragem, mas isso era só o começo. Inda deu mais uns 20 minutos até aparecer uma placa dizendo onde a gente tava, que por sinal nem conforto deu. Já estávamos praticamente no Paranoá, outra região administrativa do DF, sem saber se tava perto ou longe, mas seguindo as luzes no horizonte. Uma hora de carro depois de sair da minha casa chegamos na casa dela, que pelo outro caminho levaria sua meia no máximo. E isso porque só rolou pista vazia o trajeto TODO. Uma hora inteira.
Depois dela tirar uma com a nossa cara e de eu agendar um pique-nique na barragem que vimos só pelo vizu, pegamos o céu já escuro e eu lembrei do pôr so sol lindo que a pista estranha me deu o privilégio de ver. Bobo, romantizado, mas exatamente o que pensava na hora, afinal o clichê dos clichês dessa cidade é que aqui tem O pôr-do-sol, e ontem eu relembrei o porquê. Foi assim que, morrendo de sono, fome, cheguei no local.
Claro que tava sem falar nada disso pro pessoal, só queria espairecer um pouco e se ficasse o povo querendo me colocar num colchão na casa dela na minha primeira ida eu ia ficar constrangido demais. Mas não. Não rolou vibe do constrangimento a noite inteira. Umas pessoas super gente fina, bons anfitriões, com papo, idéias firmes, pelo que pude ver tudo bem resolvido. E bohemios de talento. Com uma musiquinha suave a noite toda, curtimos uma lua fantástica no jardim da casa com um churrasquinho maroto (e uma mina lá entendia mesmo de carne), bebendo, e pouco a pouco a festa ficando menor e mais intimista. Foi no fim dela, mas nO fim, com a anfitriã indo dormir, que realmente senti o sono bater. Antes disso fiquei horas acompanhando um cão apaixonado, conversando com meu amigo e um pessoal da festa sobre carma, ouvindo as histórias daquelas pessoas que se conhecem a um bom tempo e acumulam registros de tempos diferentes, de outras perspectivas de vida. Super consolidei a idéia de que festa pra quê? Rolando umas conversas como as de ontem, músicas, e a grande diversão foi quando tinha menos de 10 na casa, pagar pra entrar num inferninho lotado soou tão despropositado. E foi o que falei às 7 da manhã do domingo de páscoa pra esse meu amigo. Resta ver se depois da sinopse da festa de sexta que vem se eu fico em casa mesmo. Num bolão eu apostaria contra mim mesmo.