Divã

- Adorei ter te conhecido.
- Pois é, passei por muita coisa nesse ano e foi realmente uma coisa que pouca gente notou no fim das contas pq foi uma mudança interna, mas foi algo mto grande e que eu ainda tô colhendo as consequências, mas sim, adorei ter te conhecido também.

Vou sentir falta daquele sorriso.

Sutileza do destino

O poema configura-se como obra de um ser imerso em um contexto. Apesar de uma suposta liberdade  pela idéia de obra individual e interpretativa, é escravo de sua condição social, que é tanto temporal quanto universal. Por esse motivo, a análise de seu conteúdo é derivada dos mesmos filtros, mas passa (ou deveria passar) por análises menos particulares, de cunho puramente literário.

O autor configura-se como antena e prisma da sociedade e produz, portanto, uma obra repleta de fragmentos deste contexto que não perde a universalidade. Isso pela razão óbvia de que mudam-se as rotinas, mas a constituição do homem permanece, assim como as angústias e questionamentos. Dessa forma, a obra é uma pintura de momentos, mas as cores são as mesmas apesar das mudanças do tempo. O leitor deve, então, estar atento a essas cores para assim devassar o sentido da obra em toda a sua complexidade. Cada contraste é capaz de trazer uma hipótese e cada hipótese deve ser averiguada para que a obra não seja subestimada.

Para tanto, a obra deve ser encarada completa e minuciosamente e ser enriquecida pelos fatos que transcendem a obra, que se transformam por sua leitura. O poema é um conjunto de idéias e essas idéias possuem um significado. Esse significado é subordinado à uma experiência de vida que autor e/ou leitor imprimem. Na tela do poema, as cores que se vêem são as que o pintor/autor usou, mas as que o observador/leitor conhece não necessariamente batem. Esse conflito produz algo novo, a interpretação transtextual, indo além da mera imagem talhada.

Esse conflito enriquecedir é natural, já que outorga ao leitor o dever de pensar sobre e além da superfície, mergulhando a partir das palavras em questionamentos, indo por vias históricas, psicológicas, sociais, teológicas, enfim, onde houver limites para o estudo dos campos de signos impressos na obra. Assim, torna-se fundamental para uma leitura rica, uma mente rica em signos e experiências.

A obra é, portanto, criadora de um conjunto de debates e o autor, mesmo sem a intenção, é um formador de opiniões. É, então, inseparável da área de atuação da obra a visão apurada do leitor, co-autor da significação final da obra e pensador livre, em termos, por natureza.

Mais uma resposta de prova dessa época que hj lembro com carinho. Vou usar como resposta pronta daqui uns 20, anos, então é bom relembrar por agora ;]

Revivendo o passado: “Qual sua visão do amor hoje.”

O amor é uma das sensações mais cruéis que o ser humano passará. Seja o amor conjugal, o amor fraternal, o ser humano não perdura, e sim ssuas ações. Estas duram para nos lembrar do que passamos e de como as coisas passaram. Sendo a própria felicidade um estado efêmero de humor, o amor está subjugado pelas mesmas leis.

Sendo o seu amor, ou o da pessoa amada, que acabou, ou mesmo o de nenhum, apenas a existência de um tendo acabado, o que sobram são as lembranças vivas de algo sem volta. Lidar com essa saudade é saber se ver livre da dor, anestesia que só vem com o tempo e leva embora o sentimento restante, deixando uma indiferença agridoce.

Mas todo ser humano passará, pois todos precisam de contato para serem humanos, e como cada um é algo infinito em possibilidades, esse apego que gera o amor surge, quer queira quer não. Pensar no fim é amargo, mas o antes e o durante do amor, que tem seu próprio calendário pois não há quem não tenha sua vida dividida em antes e depois de uma pessoa especial, é algo doce. E o amargo mostra o que era o doce, mas não fica imune à influência deste. Agridoce é o gosto completo do sentimento, ou gama de sentimentos, completos e complexos que é o amor.

Questão final de uma prova do segundo semestre de faculdade, respondida em poucos minutos restantes para o fim do tempo.  Se alguém identificar o processo que vivenciei nessa época e permeia o texto ganha um doce. Dica: not a heartache.

One mistake

All it takes, and your life has come undone.

É Gargabe, acertou denovo. Mas a melodia não devia ser tão animada…

Frugal em vagas. (Pt. I)

Era doce e débil o ar vespertino em setembro. E lá estavam as crianças, começando a caminhar ao redor do muro rebocado. Chamemos de crianças, apesar de já terem todos dado deus primeiros beijos. Caminhavam em quatro, saindo da escola depois das uma, culpa da carga horária brutal e de uma lojinha de salgados ao lado que roubava a chance de qualquer um deles terem uma dieta saudável. Seus dedos brilhavam no sol escaldante da ilha devido à gordura das bombas, e enquanto caçoavam das aulas, despretensiosamente, a menina segurou a mão suja de um dos três meninos, o mais alto.

- Ai, nem limpou.

Havia algo de masculino na atitude da garota, de elevar um pouco a camisa e limpar os dedos sujos do amigo na sua camisa. Um vento passou, comum em áreas litorâneas, um vento úmido mesmo que não haja uma nuvem no céu. Não era refrescante, era enervante. Não sei se captam a diferença, pouco importa, mas com o vento os outros dois meninos notaram a camisa elevada da baixinha, caçoando em segundos com a cena, aquele caçoar bobo de “Tá te querendo”. As marcas das unhas no braço de um, o mais expansivo, levaram semanas para sair. O outro, mais esperto, conseguiu fugir. A baixinha e o mais alto agora voltaram a caminhar, seguindo os dois à frente num ritmo mais lento, que combinava com a falta de vento da época.

Na curva à direita deu para ver o navio antes da linha do mar. O mais esperto iria almoçar em casa e se despediu, seguindo em linha reta. O mais alto e a baixinha conseguiram alcançar ambos a tempo, na frente do mercadinho. Seria hora de comprar algo? Naquele calor, aquele refri local gelado pediu loucamente por companhia de algum lábio. Conseguiu três pares. O mais alto tinha receios de coisas processadas. E a baixinha e o expansivo seguiram pelas calçadas, deixando o mais alto do lado de fora.

- Me segura?

O mais alto chegou o corpo junto ao meio fio, mesmo cansado e suado, cedendo o ombro à baixinha, que apoiou o antebraço no ombro do mais alto. Era comum já, tão comum quanto o olhar do mais alto nos olhos da baixinha, sempre capturando aquele brilho permanente. Ouvia o refrigerante descer na garganta da menina, num ritmo mais ágil que aquelas gotas de suor que desciam de seu pescoço, marcando a camisa branca. O expansivo falava com a baixinha e o mais alto ouvia com o ombro a conversa particular do antebraço com a jugular. A conversa foi curta, na frutaria a menos de quinhentos metros se despediram, quando tiveram de contornar novamente a rua, seguindo por debaixo das árvores do outro lado do muro, onde não havia meio fio.

A rua era toda deles, nessa hora quem tinha carro certamente faria o possível para estar fora deles. Embaixo dos pés de jambo, comentavam sobre a proximidade da época, momento em que deveriam tomar todo cuidado com as roupas novas, as frutas velhas e as mentes velhacas. O navio virou a entrada do clube, dono do muro que obrigava os três a darem essa volta. O expansivo só queria chegar em casa e jogar a mochila longe, o mais alto só queria tirar os tênis, a baixinha só queria meia hora na varanda. Verdade seja dita, ela ganharia essa meia hora em vinte minutos anteriores, mas ganharia quarenta minutos de memórias contornando o muro que poderia parar no primeiro vértice, ponto do ônibus para sua casa, sempre pontual. E isso a fazia continuar indo com o expansivo e o mais alto até o fim da rua, onde morava o expansivo. O mais alto, quase seu vizinho, morava na última curva que faziam, assim que acabava muro e rua, uma subida à esquerda que terminava na rua onde o ônibus passava.

Essa capilar era o fim do dia da baixinha na maior parte dos dias, então ela subia no meio fio que surgia e pedia o ombro mais uma vez. Não eram nem 100 metros de caminhada, mas isso era um mundo comparado aos poucos centímetros de ombro e antebraço dos meninos. Ainda mais numa subida. Ainda mais na primavera da ilha. Vento novo para chacoalhar as gotas de suor da franja do mais alto, que já puxava a chave de casa. A baixinha, sempre na frente do portão, se despede do mais alto, ganhando mais uns segundos de dia, beijando-o no rosto e subindo o pouco que resta da rua, para sentar no banquinho e esperar seu ônibus passar. Ventava legal nesse dia. O suspiro da menina, sob as árvores, foi carregado ao oceano sem mal sair da boca.

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Frugal em vagas é um wannabe conto, mas é um diário de um eu presente sobre o passado. Um conto de férias. Ao todo ando matutando em dois, um mais denso. E numa noite de solidão e insônia ouvindo algumas músicas, surgiram as imagens de Frugal em vagas. Deve ser o meu texto mais frívolo já feito, mas a idéia é a leveza. Hope you enjoy.

I don’t care if monday’s blue

falling_star

- Fez seu pedido?

(esse post devia ter vindo na terça, mas antes tarde do que nunca)

Stress

Atendente: Daqui a uma semana passa aqui
Secretária do departamento: Deve começar a aula semana que vem
Professora: Atestado e nada pra mim é a mesma coisa.

Sério, quem eu tenho que chupar naquela UnB pra ela ficar do meu lado um pouco? Pq né, não posso confiar na UnB vou confiar ao menos em algo que eu sei que funciona.