
Pra Pushing Daisies ficar melhor, só mesmo não sendo cancelada. Não é apenas a coisa mais linda que eu já vi na tv, é a coisa mais linda que eu já vi em muito tempo.

Pra Pushing Daisies ficar melhor, só mesmo não sendo cancelada. Não é apenas a coisa mais linda que eu já vi na tv, é a coisa mais linda que eu já vi em muito tempo.
Bem, Heroes é um seriado que ainda dividie muitas opiniões. Não vou colocar como última bolacha do pacote porquê não acho que seja pra tanto, mas a hype sobre o seriado não foi completamente sem motivo. Com uma primeira temporada ágil e descompromissada (diferente do que atenção sobre o seriado podia levar a crer), foi uma grata surpresa no ano marasmado. A história é recheada de clichês de quadrinhos, mas o que tornava a série digna realmente de nota foi o link de linguagens que gerou, garantindo que aquele seriado não se comportasse APENAS como boa obra televisiva.
A segunda temporada veio com a greve dos roteiristas e talvez tenha sido a série mais prejudicada por esta. Cenas de grande impacto surgiam como anti-clímax o tempo inteiro e tudo foi ficando cansativo, mesmo tendo menos da metade dos episódios da primeira. Era muita informação para pouco tempo e a saída da série de dizer que está numa tal primeira temporada dividida em capítulos ficou artificial e fajuta, obrigando a já criada fan base do seriado a esperar um ano por um pouco mais de série que concluísse as enormes lacunas da segunda, coisa que a primeira temporada contornou tranquilamente, e mais do que nunca as comparações com Lost ganhavam algum fundamento, já que Heroes abraçou o lado televisivo e sazonal para se tornar um primo pop de Lost (nesse caso, o pop pode receber qualquer carga pejorativa que tenha nessa palavra).
E alguns medos permanecem nessa terceira temporada. As lacunas até agora foram deixadas de lado e novas idéias começaram a explodir num roteiro que até então mantinha uma linearidade (que uma amiga minha diz ser na verdade o vazio de história, mas deixemos esse aspecto de lado). Rostos voltando em outros corpos, adquirindo novas dimensões, mudanças bruscas na personalidade de personagens, tudo isso grita nesses primeiros episódios de Heroes, mas é fato que o seriado resgatou o tom adotado pelos primeiros roteiristas (talvez até demais, esquecendo que existiu um capítulo/temporada dois mesmo que mutilado pela greve). E a morte de uma das cabeças chaves da segunda temporada só ressalta esse aspecto. Mas a presença de Ali Larter deixa claro que nem tudo foi descartado, só que ainda fica o mistério do que será feito com isso. E com a dança das cadeiras que ocorreu em apenas dois aspectos, pode ser tanto prazeroso (para os que estavam esperando) quanto revoltante (para críticos do seriado) imaginar o que ocorrerá nessa temporada.
Mas bem, considerando o fato de que, durante a primeira temporada, surgiram boatos de que a segunda seria com personagens completamente diferentes, ao menos o seriado está mantendo bem a relação construída com aquele universo enérgico e divertido. Resta esperar.
Sabe quando você sente que algo importante acabou na sua vida e se sente até um tanto fútil por isso? Bem, imagino que a intenção de um criador seja a de ver sua obra causar algum impacto nas pessoas e nesse ponto os produtores, diretores, roteiristas e atores de Skins tem muito do que se orgulhar. Começando com um comercial que apresentava jovens britânicos em um comportamento hedonista desenfreado, a série começou com um piloto tão descompromissado quanto, sugerindo ali mais uma série de adolescentes descartável. E então foi crescendo, crescendo, e isso desde o princípio. Já na primeira temporada dava pra sentir algo em skins que divergia do que tinha por aí. Um zelo por parte de quem fazia era a única explicação pro capricho que corria pela confecção de cada episódio, sempre na ótica do personagem título mas sempre coesa à história geral, o que por si só revela uma complexidade narrativa incomum, ousada, fácil de se assimilar e acima de tudo bem sucedida. E a série nunca parou de acrescentar elementos, mas nunca ficou inflada, embora uma conclusão para a vida de personagens tão complexos e carismáticos que ainda assim sempre pareciam mais dimensionais a cada episódio soasse como algo impossível. E quando surgiram os boatos, e suas confirmações, de que essa galeria de personagens ficaria na lembrança, minha esperança de que fosse um boato gritou acima do meu bom senso. Ela dizia: esse final vai ser uma grande merda.
Bem, acabou skins. O último episódio talvez não tenha sido o melhor, mas resumiu perfeitamente todas as qualidades que tornaram skins única, além de render uma homenagem indulgente, mas que jamais soa arrogante já que Skins é sem dúvida o melhor seriado de temática adolescente já feito, e aparentemente os produtores notaram isso. Lembrando o clima do episódio piloto, que era focado no Tony, esse final focou em cada personagem e o que seria deles. E com toda a complexidade já colocada, o resultado foi não se render a soluções bobas de happy end típicas de seriados do tipo. As coisas ruins certamente tocaram aqueles personagens e ninguém simplesmente esqueceu nada do que quer que tenha ocorrido. A temática do crescimento foi abordada com a urgência que o tema ganha na vida de quem ainda tem pouco de tempo pra muita bagagem, mostrando no fim que tudo podia terminar do jeito Cass (it’s all in the future, more shit to happen) ou do jeito Chris (Fuck it) ou do jeito Tony (I know… what you want me to do?)… ou do jeito que cada um quiser assim que os créditos começam. Mas frases memoráveis esse episódio teve de sobra, o que não deu a ele a idéia que poderia estar passando de flashback. Não, esse episódio teve uma identidade própria. Foi um final como eu mesmo nunca vi em um seriado. Literalmente convidativo, sedutor, carinhoso, respeitoso das experiências que cada um teve ao ver Skins e promissor para a terceira temporada, com outro foco. Teve o mesmo carinho da direção, diálogos soberbos, enfim, o nível de qualidade que a série sempre apresentou. Taí Skins pra provar que por trás de um comportamento hedonista inconsequente sempre há porquês, individualizadade is not all over e profundidade nem sempre requer tempo. Seriado que captou as angústias de um tempo malfalado e mostrou que os defeitos dele são seus maiores charmes. Skins é capaz de impactar por essa datável universalidade. E como disse um professor meu: odeio eles por terem feito o que eu gostaria de fazer.

Vcs vão me ouvir falar muito desse seriado. Muito. Não apenas pelas gritantes semelhanças com Amelie, mas pela premissa FO-DA desenvolvida de forma mais que competente. Não por pouco a série vai ser mantida e deve retormar logo as gravações. E quem puder, arrume uma forma de ver os 9 episódios que já saíram antes que venham os outros. Logo no piloto já pode rolar paixão pela história de Ned…
Achei pala de ácido mas…
TONY VOLTOU A SER TONY!
♪ Take That – Patience