Spring Feelings

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Já comentei que essa é a estação mais filha da puta? Não? Esperem até amanhã.

Meet the: Saint Etienne

Saint+EtiennePrimeira coisa sobre essa idéia: sou Brasileiro falando de uma das bandas do tempo que indie era indie, na grã-bretanha, portanto vou falar das informações que consegui coletar, o que ñ posso garantir firmeza o tempo todo. Mas uma coisa é fato garantido: poucas bandas na história do rock possuem uma discografia tão deliciosa quanto o Saint Etienne. Com o pouco de informação angariada, da época de fóruns, posso resumir mal e porcamente a história da banda da seguinte forma. Dois caras (Pete Wiggs e Bob Stanley), até onde sei jornalistas, antenados com a cena house britânica, começaram a fazer suas músicas até que atingiram um ponto de identidade. Colaborando com várias vocalistas, lançaram um primeiro cd, onde acharam uma vocalista (Sarah Cracknell) que teve uma quimica com a banda, mesmo não sendo ela a vocal da música que mais bombou desse primeiro cd. Lançaram um segundo cd e… bem…
Fato é que a história da banda mesmo, mesmo, é o de menos, já que a produção é de difícil acesso (vc não acha um cd deles a venda nem na net com facilidade), além do fato básico de que o Saint Etienne possui um excesso de B-sides, e se os álbuns de estúdio já dão canseira, pense nos B-sides. E sendo uma banda ligeiramente preguiçosa (7 álbuns de estúdio em 20 anos de carreira, 4 nos anos 90), e isso é para conhecer a banda, o básico da história deles é: clubbers, indies, encontram uma musa e bingo, que comece a festa. Tudo no resumo p(a/o)rco anterior esclarecido, esclareçamos a tal festa.
Saint+Etienne2Saint Etienne nos dois primeiros álbuns trouxe à tona uma sonoridade que atraiu uma mídia alta, NME inclusa, sobre o que se considerava pop puro. Mesmo com a presença do acid house, havia uma tradição latente nas composições dos ingleses, que fundia música e cinema, passado e presente, trazendo a sonoridade de 60’s pop, samples (algo que, pré-DJ Shadow, demandava uma audácia), um quê de experimentalismo dos anos 70, britpop e toda a tradição dançante do final dos anos 80, começo dos anos 90. Claro que esmiuçar isso nas músicas desses cds é difícil, já que ali estava uma assinatura que iria permear uma espécie de legado, pois artistas que variam de Emma Bunton à Blur, passando por Spice Girls, Amy Winehouse, Pulp, as já comentadas Girls Aloud, dentre outros, sofreram comparações à sonoridade desse Saint Etienne. E embora mtos digam que aperfeiçoaram as idéias do grupo, é difícil concordar ao ouvir o turbilhão de idéias recheado de delicadeza que Foxabase Alpha e So Tough traziam, e constatar que esses álbuns envelheceram com muita força é ainda mais impactante. E então, vem Tiger Bay. Terceiro álbum da banda, único álbum de qualquer artista que ouvi que realmente merece ser dito como aperfeiçoamento da fórmula inicial deles, coloca uma amálgama de sons aparentemente imcompatíveis juntos para criar uma viagem através da tal Tiger Bay, fluindo sobre imagens e histórias ambientadas em folk, eletrônica, dub, algo de post-rock, referências a todo tipo de arte, tudo de forma absurdamente palatável, radiofônico, pop. Experimentalismo tão palatável assim, não exageraria se dissesse que não houve desde os Beatles. Então…
Saint+Etienne3Com o respeito conquistado, uma fan-base die hard, Saint Etienne lança Good Humor, um álbum mais “suscinto” que os anteriores, mas ainda assim bem orgânico, embora as texturas eletrônicas já se tornassem mais polidas. Essa polidez toda pode soar a princípio como monótona comparada com as insanidades iniciais, e certamente ñ tornou o trabalho tão acessível quanto os anteriores, mas ainda assim vinha com um amadurecimento na questão da identidade da banda, que já flertara com a música ambiente anteriormente. Ainda assim, o cd trouxe algumas das composições mais refinadas da banda, o que por si só já é animador. E então, com Sound of Water, Saint Etienne enfia os dois pés no caminho que Good Humor apontava, usando da assinatura da banda para brincar com o eletrônico como poucas vezes. Um primor de produção, não atinge em nenhum momento isolado o poder dos álbuns anteriores, mas tocado inteiro tem tanto ou mais poder que os outros álbuns do trio lançados até então, usando de instrumentais para causar clima de uma forma leve, às vezes etérea. Embora tenha vindo com um certo atraso, ainda assim, foi um triunfo. Mas esse caminho tomou um passo adiante com Finisterre, um álbum que traz com força a obsessão cinematográfica dos anos iniciais, mais centrado que os outros no eletrônico que de costume, e embora atinja níveis excepcionais, a irregularidade do álbum e uma certa pretensiosidade acabaram minando a força do álbum como um todo. Então…
Se sete é um número de sorte não sei, mas bem, In Rainbows, Ray of Light, Revolver e, pq não, Tales From Turnpike House, todos sétimos álbuns, todos pontos altos de carreiras brilhantes. Tales from Turnpike House, um Tiger Bay dos anos 2000, traz um conceito como desculpa para fazer algo como música parnasiana. Passeando pelas últimas 4 décadas da música, sem com isso soar datável, o álbum retoma a assinatura inicial com as ferramentas novas, indo da bossa ao disco, com house e folk em total harmonia.
Saint+Etienne4E sim, embora haja uma infidade de álbuns que fazem um apanhado das músicas lançadas pela banda, já que alguns de seus maiores sucessos estão fora desses álbuns, falar desses 7 álbuns já dá o suficiente para uma reflexão profunda sobre o quanto se está perdendo da música internacional com a ação do tempo suplantando bandas que tiveram todo um grau de importância. Mas com o lançamento de uma nova coletânea esse ano, Saint Etienne tem revigorado um pouco a mídia sobre a banda e sua relevância, o que é aniimador. Não apenas pela possibilidade de ouvir essa art-music, já que dificilmente essa banda terá o reconhecimento que merece nos dias de hj, mas não é qualquer banda que, agindo basicamente por contra própria, cria uma assinatura tão clara e clássica que permeia as rádios do mundo por mais de uma década, indo e voltando. E que, qunado nos eixos, derruba qualquer concorrente com a sua dedicação, inventividade, acessibilidade e, acima de tudo, criatividade, algo em gritante falta nos dias de hj.
Discografia:
Foxabase Alpha: nota: 9,5 [recomendadas: Todas, e na ordem do cd dá um up inclusive. A variedade ajuda a recomendar uma a cada momento]
So Tough: nota: 10 [recomendadas: Brincou? Se eu achasse já teria comprado!]
Tiger Bay: nota: 11 [recomendadas: 11 de 0 a 10? Todo mundo devia ter o prazer de ouvir um álbum como esse]
Good Humor: nota: 9 [recomendadas: O 1, 2 punch inicial de Woodcabyn, talvez a música mais elegante da carreira do trio e Sylvie, além das fantásticas Lose That Girl e Erica America]
Sound of Water: nota: 10 [recomendadas: nenhuma em particular, todas com urgência.]
Finisterre: nota: 6 [ok, toda banda tem altos e baixos, mas mesmo assim Action consegue ser uma das melhores faixas de abertura da década, e Finisterre um dos melhores fechamentos]
Tales From Turnpike House: nota: 10 [recomendadas: Stars Above Us, Sun in My Morning e Side Streets se sobressaem não por demérito do resto do álbum, que é impecável, mas por figurarem entre as melhores músicas da carreira da banda em nível de top 10.]

Há uma versão Norte americana do Tiger Bay que perde MTO do poder da versão britânica. Mas fora isso, tão demorando já.

Meet the: Girls Aloud

14723531Fuçar em charts hoje em dia é sem dúvida alguma um exercício de frustração. as rádios pops norte americanas e as européias são tão visíveis na imersão da indústria cultural que uma rolling stone catapulta as vendas de um projeto como Jonas Brothers dando uma crítica de 4 estrelas para seu álbum, a mesma dada a trabalhos fenomenais como o álbum de estréia do Garbage ou o, para muitos críticos, último grande álbum da história do rock, Ok Computer, do Radiohead. E quando um embuste assim consegue esse feito tem algo errado.
Claro, existem coisas palatáveis, existem coisas notáveis, mas até onde recordo, a única vez que algo dessa indústria me fez me perguntar “Que porra é essa” e me despir de qualquer problema em ser fã de algo confessadamente descartável até mesmo em sua origem foi achado nos charts britânico. As culpadas: Girls Aloud. Sim, esse nome cafona até mesmo para um grupo formado em show de tv esconde um grupo de garotas que, aliada a um produtor aparentemente maluco, virou minha cabeça de assalto e já está em terceiro lugar no meu last.fm, conquistou o respeito da crítica internacional, contruiu uma carreira notável em que, em apenas seis anos, já lançou 5 álbuns, uma coletânea, 4 tours e mais uma em planejamento e teve todos (repetindo: TODOS) os seus singles no top 10 britânico, 4 d11012343eles chegando ao primeiro lugar (não que façam real justiça ao que é mais impressionante no seu trabalho), fora a lista de fãs poderosos que já surgiram, como Chris Martin, Billy Corgan (esse chegou ao ponto de dizer que uma das canções do quarto álbum delas, Call The Shots, era a melhor canção já escrita) e os hiperhypados Arctic Monkeys, todos os aqui citados já tendo cantado alguma das músicas das garotas.
Bem, não das garotas, verdade seja dita. Começando que dois dos números uns delas são covers (um, uma versão descartável de I’ll stand by you e outro um cover divertidINHO de Walk this way, com participação das Sugababes). E claro que as músicas dos seus cds são de autoria de outras pessoas. E tirando algumas do primeiro cd, todas vieram do grupo de produtores chefiado por Brian Higgins, conhecido como Xenomania. E quem diabos são esses? Em parte os responsáveis por fazerem a crítica britânica elevar Sugababes ao posto de melhor girl group britânico da história, responsáveis por alguns de seus principais singles (Round Round, Hole in the Head, pra citar alguns exemplos notáveis), os inventores do maior hit feminino dos últimos 10 anos, believe da Cher, produtores das últimas faixas realmente geniais do Saint Etienne (fiquei chocado ao descobrir que aquelas músicas dos últimos álbuns do grupo que explodiam acima das outras eram TODAS do grupo, excessão de Side Streets do último álbum do Saint Etienne), cabeça presente no último cd da maravilhosa Annie, da novata Gabriela Cilmi, que já desponta nos charts mundiais, tendo trabalhado com as principais figuras do pop britânico dos últimos tempos, como Kylie Minogue, Pet Shop Boys, Fraz Ferdinand, Sophie Ellis-Bextor, Bananarama… ufa.
10953213Ou seja, um time de uma certa unanimidade que soaria assustadora. Reconhecimento de público, de crítica, entre os artistas, tendo como principal expoente de seu trabalho um grupo formado com o intuito de ter o single natalino em número um é algo que soa dissonante.
Mas se despir de qualquer preconceito é fácil nesse caso. Xenomania achou nas Girls Aloud as musas para levar a cabo suas insanidades e, assim que houve a chance, as Girls embarcaram na loucura junto. A partir do segundo cd, (que abre com uma música já mostrada aqui no blog, The Show), todas as músicas vieram como produced by Xenomania. E embora uma mão ou outra tenha surgido na criação das faixas ao lomgo do tempo, a assinatura do grupo deixa claro quem puxa as cordinhas. Isso acabou por criar uma identidade para o grupo, o que foi o primeiro passo para que as garotas que já haviam sido definidas como a five headed Kylie Minogue se tornassem as queridinhas do pop britânico da década (o que me amargura um pouco, já que esse posto já foi de gente grande como Blur e Kate Bush, salvo engano meu). E que identidade seria essa? De uma musicalidade que vicia, mesmo com a escancarada futilidade, por chutar sem dó as barreiras do que seria música pop. Guitarras, baixo, bateria, teclados, sintetizadores, pianos, corais, vocais agressivos, languidos, eróticos, doloridos, downbeat do r&b ao rap, upbeat de house ao tecno, influencias do rock, reggae, punk, disco, new wave, soul, rockabilly, eletroclash, enfim, toda a musicalidade das rádios da era da indústria fonográfica já deve ter dado as caras nos, agora sim vale a pena relembrar, apenas 5 álbuns da carreira das moças. E se não deu foi por falta de espaço, é o que fica claro ao notar a evolução. De um primeiro álbum correto, para um segundo despretensiosamente louco, chegando a um terceiro energicamente hedonista, a um quarto que explode de tanta diversão e um quinto que, 3065088auto-explicativo, não podia ter recebido melhor nome que Out of Control. E o charme maior é o fato de que tudo isso fica coeso quando ouvido com cuidado, soando mais que nunca como um trabalho das Girls Aloud, com seus vocais sempre gostosos, suas composições frenéticas, fazendo com que se espere de cada álbum uma loucura nova, de uma fonte que parece nunca cansada de divertir como se não notasse o trabalho de notável originalidade que está sendo feito e se preocupasse mais em estarem glamurosas, tomando seus Dry Martinis em festas privadas acompanhadas das pessoas mais interessantes do meio, feito fácil de engolir sabendo que as 5 só tem o trabalho de colocar as vozes nas músicas. Isso não é ser blasé, isso é ser divertido, mas nesse caso, recheado de algumas das músicas pops mais espetaculares da década, da absurdamente divertida Love Machine, passando pela alucinada The Show, incluindo aí a deliciosamente genial Biology, a enérgica Something Kinda Ooooh, a supacool Call The Shots, a agressiva-on-da-dancefloor Sexy! No no no… e a indescritível The Loving Kind, que foi feita pelos Pet Shop Boys para as meninas, uma música que te faz cair na pista chorando. É um combo de qualidade com desprentesão, descontração com refinamento, insanidade com genialidade. Não é o tipo da coisa que eu ache que algum dia chegará ao status de state of art, de ícone, mas sejamos sinceros, nenhum322957a das partes envolvida mostrou até agora ter interesse algum nisso. A única coisa que a música das Girls Aloud trás é uma sensação de cool que trás o melhor do que havia disso no Saint Etienne para os caóticos 00’s, um atrevimento que lembra o melhor de um Blondie, uma energia galopante que seria capaz de angariar aplausos de um Basement Jaxx, e começa a trazer uma sofisticação que faz, quem diria, Kylie Minogue, soar como novata. E é assim que, bebendo do que há de melhor na história do que, para mim, continua sendo o melhor cenário musical, com uma simbiose onde a soma das partes excede, e muito, o valor de seus elementos, que Girls Aloud é um grupo que desafia meu senso crítico. Na verdade, quanto mais ouço, mais sinto minha necessidade de buscar pelo supra sumo ser estuprada por um desejo de apenas curtir e me divertir como se não houvesse amanhã, mas sem esquecer de continuar finíssimo no amanhã, claro.

Discografia:
Sound of the Underground: nota 5 [recomendadas: Sound of the Undergournd, No Good Advice, Love/Hate]
What Will The Neighbours Say?: nota: 7,5 [recomendadas: The Show, Love Machine, Wake me Up, I Say a Prayer for You]
Chemistry: nota: 8,5 [recomendadas: eu diria que o cd todo, mas pra tirar apenas algumas: Models, Biology, Wild Horses, Long hot Summer]
Tangled Up: nota 9 [resumindo, só não Fling, mas para ontem os singles Call The Shots, Sexy! No no no..., Can't Speak French e a subaproveitada Girl Overboard]
Out of Control: nota 9 [baixa o cd todo! Mas enquanto vai baixando, curte The Promise, The Loving Kind, Rolling Back The Rivers in Time (com guitarras do Johnny Marr, dos Smiths), Miss You Bow Wow e a absurdamente carnal Fix Me Up]

E não esqueça de baixar Something Kinda Ooooh e I Think We’re Alone Now da coletânea. Só não falo pra baixar ela porquê vale a pena ocupar uns 450mb do seu pc se for com essa discografia.

Dicas para um dia mais up! (Leslie Feist)

AVISO: Na falta de tempo, clique em qualquer vídeo e veja. Tire pelo menos 3 minutinhos do dia, não vai se arrepender.

Foi-se o tempo em que videoclipes eram uma mídia influenciável. De 2002 pra cá, assisti um certo declínio da indústria fonográfica como um todo alarmante, envolvendo a queda da MTV como um fator alarmante. Nos anos 80 a chamada geração MTV viu seus artistas favoritos como Cyndi Lauper, Michael Jackson, A-HA, Madonna, Guns N’ Roses, Paula Abdul, entre outros, superarem fácil fácil as 10 milhões de cópias vendidas apenas nos EUA. Hoje em dia um álbum que atinge essas vendas no mundo (Back to Black, da Amy Winehouse é o exemplo atual) consegue a proeza de ser o mais vendido em 2007 e um dos mais de 2006 e com certeza será nesse ano também. Mas na época em que um videoclipe atraía a mídia, como em Thriller, um álbum conseguia ficar 39 semanas reinando nos charts enquanto todos ficavam fascinado por aquela mistura de cinema e música que atingia seu auge, descobrindo seus limites.

Hoje em dia é muito difícil se encantar com videoclipes. O youtube é um fenômeno da net, mas tirando as mídias de apelo adolescente, poucos vídeos despertam muita atenção e raramente por seus méritos próprios. O post aqui tratará da minha artista favorita nessa mídia dos últimos 4/5 anos. Leslie Feist. Muito provavelmente quem acompanhou o mundo da música no último ano viu essa canadense figurar em várias listas de best of, concorrer a vários prêmios como Grammy e Juno e fazer bonito no Itunes, colocando o carro chefe do seu álbum The Reminder como top 40 nos EUA e seu álbum sendo o mais vendido do ano na Itunes Store. Vários fatores contribuíram para isso (incluindo o principal: figurar no comercial do Ipod nano), mas a conquista maior dessa música em escala mundial se deve principalmente ao vídeo. Sim, o videoclipe, que ficou em segundo lugar na lista dos melhores vídeos do ano da Rolling Stone Magazine, foi dirigido pelo colaborador comum da carreira solo da cantora, o diretor Patrick Daughters. Com alta rotatividade nas mtvs mundo afora, o vídeo tem, em sua postagem mais vista, quase 10 milhões de vizualizações no youtube. E tudo isso numa aparentemente única tomada coreografada com dezenas de pessoas vestindo roupas coloridas num cenário fechado. Simples, eficiente, impecável, criativo… nada menos que genial.

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Qualidades presentes em TODOS os vídeos da cantora. Feist começou na música solitária, com um EP que foi lançado apenas no Canadá que de tão raro já chega a custar a bagatela de $500 no Ebay. Mas a fama viria mesmo com a fundação da super grupo musical Broken Social Scene que, ampliando os limites do que seria uma banda, lançou no segundo álbum, You Forgot It In People, uma coleção de músicas que iria pavimentar a sonoridade indie e abrir espaço para propostas como Arcade Fire vingarem, ao alcançar apelo de crítica e público, fazendo uma tour com shows lotados pelos EUA e Europa. E foi durante essa tour que, trabalhando no que chamaria de The Red Demos, juntou material que foi lançado com a ajuda de um amigo como o primeiro trabalho com uma gravadora, Let it die. O álbum nasceu clássico no Canadá, onde já figura em listas dos melhores de todos os tempos. E se considerarmos que Canadá é terra de lendas da música como Joni Mitchell, Neil Young e Rush, além de terra das megavendedoras Alanis, Shania Twain e Sarah McLachlan (que possuem seus clássicos particulares), dá pra notar que foi um começo notável. Notável como os clipes que produziria. Num 2004 cheio de blings, Feist trazia coreografias curiosas e linguagem simples em seus clipes, traduzindo as letras nas imagens de forma doce e suave. Patrick produziu uma das versões do primeiro single do cd, a baladinha Mushaboom, onde aparecia a cantora de eletroclash Peaches, uma das figuras mais arredias do meio musical, em flashes rápidos, como puxando o pé de uma Feist voadora ou segurando um tridente. Fora da direção de Patrick, o segundo single do cd Let it die teria um vídeo mais simples que, lançado antes da versão de Patrick de Mushaboom, concorreu ao Juno de vídeo do ano (quando ainda era uma novata). Tratava-se de One Evening, uma das letras mais simples e efetivas do cd (afinal, o apelo de um encontro completo de uma tarde é algo forte e universal), e um clipe que, por meramente traduzir a mensagem da letra, merece destaque na videografia da canadense. (Link para o vídeo aqui, já que a colagem foi proibida pelo server: One Evening).

Aqui vai a versão de Patrick de Mushaboom, que fica entre Weapon of Choice do Fatboy Slim e qualquer musical Disney.

Adicione a isso os vídeos de Patrick para o sucessor do Let it die, o vencedor do Juno e indicado ao Grammy The Reminder, que, além do fabuloso 1234 teria como singles a pulsante My Moon My Man e a enérgica I feel it all, escolhidas a dedo para receber vídeo num cd que, apesar de não atingir o nível do anterior, produziu músicas isoladas tão boas ou melhores que as do anterior, com produção mais polida (apesar da pressa, já que foi gravado em uma semana durante tour, em Paris). Feist trabalhou com Patrick novamente nos vídeos e My Moon My Man recebeu coreografia do mesmo que fez a de 1234. Mas, rimando com I feel it all nas luzes e apresentando a cantora, sempre linda, formam um bloco de vídeos que coloca Feist sem dúvida alguma como a artista de melhor videografia da década (E nem mencionei os vídeos de Inside and Out e os do Broken Social Scene), ampliando as idéias dos primeiros vídeos que traduziam as músicas e trazendo agora rimas com as melodias também, ao invés de antes onde mais pontuavam em algumas partes, o que era fofo porém simplório. E uma rápida visita nesses links é o suficiente para um gás extra no dia, por trazer música boa, idéias criativas, beleza e, por quê não, genialidade.

My Moon My Man:

I Feel it all

Who is the master, who is the slave?

And who is Madonna? Com o lançamento do seu décimo primeiro álbum, fãs da maior artista feminina do século passado se perguntam como pode, numa carreira cimentada de 25 anos, lançar um álbum com produtores da moda apenas pela certeza do sucesso, após a bomba/single 4 minutes explodir o pancadão nas rádios. Bem, essa é Madonna. Nunca foi indie, ditou moda, gerou gerações de wannabes e nunca saiu do topo em eras onde música não se resumia ao radiofônico, como agora. Mas também sabia estar antenada ao contagiante e suas músicas eram acima de tudo universais e fortes. Claro, ter a carreira cimentada (com pelo menos 3 álbuns que calaram a boca daS críticaS sobre falta de talento) pode gerar o comodismo de poder lançar algo despretensioso, mas ela é Madonna e seu despretensioso se inclui em apenas três ábuns: o primeiro, Confessions on a dancefloor e Hard Candy.
O primeiro era o álbum que colocava a Madonna carnal e jovial dos anos 80, pós punk, amante de Debbie Harry e Marilyn Monroe como uma rainha dos clubs (vendas superam os 9 milhões já). O Confessions colocava Madonna após uma carreira multifacetada e enorme para “meros” 22 anos de volta aos clubs, com a pretensão de agradar aos fãs e mandando qualquer vestígio de ambição que permeou TODOS os álbuns pós o primeiro embora enquanto sacudia os ossos ao som de samples famosos, batidas incessantes e muito refinamento. E o Hard Candy?
Esse ainda é uma incógnita. Madonna construiu uma carreira incialmente com elementos orgânicos, a ponto de ser tachada de rocker. Mas desde o Ray of light seus álbuns se renderam ao eletrônico e a vibe orgânica de obras primas como True Blue e Like a Prayer passaram a ser coisa do passado, dando lugar ao eletro refinado e semi-orgânico de álbuns como Ray of Light, Music, e American Life, cimentado pelo Confessions, menos orgânico dos 4. Hard Candy então é um pregresso ao momento oitentista de Madonna, mas sem ambições aparentes, o que poderia levar à idéia de que Madonna estaria não reinventando, mas recomeçando sua carreira. E 2008 é o aniversário de 25 de carreira e 50 de vida, o que torna essa perspectiva uma bela incógnita.
Mas sobre o álbum: vitorioso no conceito de pôr pra dançar, não é uma festa non-stop como o anterior, mas seus momentos de brilho superam qualquer um do álbum anterior, que após um tempo soava repetitivo e desgastado. No Hard Candy temos um filho do True Blue. É um álbum que nasceu depois daquele mas puxou ao pai: as músicas variam de estilos e eras, passeando não apenas pela norte américa como a escolha de produtores (Timbaland, Timberlake, Pharrell e Danja) sugeria. Passeando por hip-hop, eletro, disco, rock, r&b, puxando outras formas de batidas, experimentando (nem sempre com sucesso), Madonna criou aqui seu álbum mais criativo desde Music. E faixas como Give it 2 me, Miles away, Incredible e Dance 2night deixam claro que o álbum não é meramente uma venda: os produtores cuidaram da batida e Madonna ajudando nas letras. Não! Há elementos de vários álbuns de Madonna permeando Hard Candy, de vários outros artistas (Devil Woudn’t Recognize You é praticamente uma What goes aroud… comes around do Justin com uma letra melhor), o que parece ser temdemsia entre artistas não-tão-old-school mostrando quem manda aqui (ver Bjork e seu Volta, Tori Amos e seu American Doll Posse, U2 e o How to dismantle, Radiohead no Hail do the Thief e por aí vai). Mas a overdose de procução de Madonna faz esse álbum brilhar como poucos na tentativa de fazer música pop nos anos 00’s, onde tudo parece saído de algum lugar, pois graças ao trabalho cuidadoso nas composições obras como Dance 2night que seriam sucesso no boom disco soam fresquinhas. Quanto às letras, o leque é variado, mas a profundidade de álbuns da era 90’s ou mesmo 80’s foi realmente mais descartada. Não que seja tão fraco o trabalho nesse aspecto quanto foi no Confessions. Aqui a dança serve de inspiração, seja com Heartbeat, Candy Shop, Give it 2 me e especialmente Beat Goes On, com uma letra que torna urgente a necessidade de cair na dança, tão enérgico nesse aspecto quanto uma Vogue (e isso é uma PUTA comparação que me atrevo a fazer), mesmo com um rap descartável de Kanye na letra, mas que dá um gás na música. Com um trabalho de produção obviamente mais atencioso que o COAD que soava desleixado às vezes (ou talvez um non-stop eletro seja mais fácil que um álbum mais orgânico e multifacetado), temos pontes maravilhosas, refrões grudentos, batidas chamativas, linhas intrumentais com personalidade e potenciais singles a dar com pau! Mas como nem tudo é delícia, Incredible certamente foi um experimento curioso, mas exagerou na produção e ficou bizarra, e Spanish Lesson é uma peça descartável, mas que deve fazer bonito nas pistas de dança e já achou defensores. O que mesmo assim não reduz o brilhantismo total do álbum que, me atrevo a julgar, é o melhor desde Music.
Recomendações: Beat Goes On, Miles Away, Give it 2 Me, Heatbeat e She’s Not Me.
Pula essa: Spanish Lesson
Nota: 8.0 (ainda mantive meu top 5 álbuns com Bedtime Stories, Music, Ray of light, Like a Prayer e True Blue)
Mostrando aí quem é master…

Portishead: o retorno


Considerando o fato de que o Dummy é um dos meus álbuns preferidos e tem 2 músicas entre as minhas 10 preferidas, e eu sou do tipo que baixa música por discografia, dá pra imaginar como fiquei quando vi no seteventos a resenha do Third e o link pra baixar. Como ando atrás de informações e vazamentos apenas do Hard Candy, pequei feio ao não saber do vazamento desse álbum que figurou entre os lançamentos mais aguardados do ano de 2007 na lista da billboard. Bem, ao menos está com data marcada de lançamento e logo vou ver se o álbum vai atingir o status dos outros.
A banda, que junto do Massive Attack popularizou o trip-hop e basicamente criou as regras desse estilo, tá num hiato de 10 anos. E por mais que a vocalista tenha lançado um material dela, Portishead tem uma sonoridade de banda, não é como um trabalho do Massive estilo 100th Window que é do 3D ou um Wish do The Cure, que na verdade é todo trabalho do Bob Smith. Os álbuns do Portishead são de todas as cabeças da banda.
Prova disso é que, embora a sonoridade fragmentada de um Blue Lines tenha inspirado bandas de trip-hop, havia uma disparidade de estilos que nos trabalhos do Massive Attack só se tornou linear no Mezzanine. O Portishead, ao contrário, possui uma assinatura clara. Longe do eletrônico até onde é possível, mantém as músicas com a sonoridade de uma banda completa. E o Third não foi excessão ao poder dessa assinatura, mantendo a melancolia glamourizada pela voz sexy-depressiva da Beth, rodeada de batidas hipnóticas e cordas que geram um clima. E se tem uma característica que o Portishead é mestre é em gerar clima. Se no anterior, iniciando com Cowboys, você sentia mais do mesmo, agora o álbum começa urgente com Silence. O Portishead básico está ali, mas a faixa traz semelhanças com trabalhos de Radiohead mais até do que com a sonoridade do Portishead. Trip hop? Sim. Mas não faria feio em um álbum de gloom rock.
Mostrando que o som que eles se tornaram insuperáveis em fazer não foi deixado de lado, um downbeat orgânico e carregado, Hunter resgata o mood do segundo trabalho da banda, mas expande as fronteiras. E é essa a idéia que segue o Third. Temos o mesmo Portishead delicioso e elegante, mas agora mais… confiante? As mudanças na sonoridade entraram tão bem que soaram como se fossem feitas para o trip hop, o que não deixa de ser curioso já que foram usados sons típicos de movimentos do rock, não do eletrônico (onde se enquandra o trip hop) para ornar os acordes do álbum. E se antes isso já chamava a atenção para o trabalho da banda, agora meio que tornou essa visão dos trabalhos anteriores vazia. Diria que onde o Radiohead trabalhou para fazer o Amnesiac, Portishead trabalhou para fazer o Third. Mas onde Radiohead soou desafiador e corajoso, Portishead soou à vontade e não derrapou feio, até a última corda gemer em Threads.
Sem carecer de polimento ou de revisões, Third já é um trabalho de destaque na pequena discografia da banda. E provavelmente um dos melhores trabalhos de 2008. Pois música assim, com tanto refinamento, controle, zelo, não surge nem da noite pro dia e nem aparece na lista de aguardados desse ano.
Agora vou bancar a Pitchfork, de 0 a 10 acho que esse álbum merece 9.1, pois desde o Comfort of Strangers da Beth Orton que espero um álbum nesse nível da Inglaterra.

Love at first sight: Silence
Não recomendado para: Quem é fã de Bob Sinclair
Dica pessoal: As letras do Portishead costumam ser são tão pesadas que podem assustar, mas depois que você se acostuma acha o cúmulo da elegância. Porquê não é por estar no fundo do poço que acaba o direito de ter classe.