Meet the: Saint Etienne

Saint+EtiennePrimeira coisa sobre essa idéia: sou Brasileiro falando de uma das bandas do tempo que indie era indie, na grã-bretanha, portanto vou falar das informações que consegui coletar, o que ñ posso garantir firmeza o tempo todo. Mas uma coisa é fato garantido: poucas bandas na história do rock possuem uma discografia tão deliciosa quanto o Saint Etienne. Com o pouco de informação angariada, da época de fóruns, posso resumir mal e porcamente a história da banda da seguinte forma. Dois caras (Pete Wiggs e Bob Stanley), até onde sei jornalistas, antenados com a cena house britânica, começaram a fazer suas músicas até que atingiram um ponto de identidade. Colaborando com várias vocalistas, lançaram um primeiro cd, onde acharam uma vocalista (Sarah Cracknell) que teve uma quimica com a banda, mesmo não sendo ela a vocal da música que mais bombou desse primeiro cd. Lançaram um segundo cd e… bem…
Fato é que a história da banda mesmo, mesmo, é o de menos, já que a produção é de difícil acesso (vc não acha um cd deles a venda nem na net com facilidade), além do fato básico de que o Saint Etienne possui um excesso de B-sides, e se os álbuns de estúdio já dão canseira, pense nos B-sides. E sendo uma banda ligeiramente preguiçosa (7 álbuns de estúdio em 20 anos de carreira, 4 nos anos 90), e isso é para conhecer a banda, o básico da história deles é: clubbers, indies, encontram uma musa e bingo, que comece a festa. Tudo no resumo p(a/o)rco anterior esclarecido, esclareçamos a tal festa.
Saint+Etienne2Saint Etienne nos dois primeiros álbuns trouxe à tona uma sonoridade que atraiu uma mídia alta, NME inclusa, sobre o que se considerava pop puro. Mesmo com a presença do acid house, havia uma tradição latente nas composições dos ingleses, que fundia música e cinema, passado e presente, trazendo a sonoridade de 60’s pop, samples (algo que, pré-DJ Shadow, demandava uma audácia), um quê de experimentalismo dos anos 70, britpop e toda a tradição dançante do final dos anos 80, começo dos anos 90. Claro que esmiuçar isso nas músicas desses cds é difícil, já que ali estava uma assinatura que iria permear uma espécie de legado, pois artistas que variam de Emma Bunton à Blur, passando por Spice Girls, Amy Winehouse, Pulp, as já comentadas Girls Aloud, dentre outros, sofreram comparações à sonoridade desse Saint Etienne. E embora mtos digam que aperfeiçoaram as idéias do grupo, é difícil concordar ao ouvir o turbilhão de idéias recheado de delicadeza que Foxabase Alpha e So Tough traziam, e constatar que esses álbuns envelheceram com muita força é ainda mais impactante. E então, vem Tiger Bay. Terceiro álbum da banda, único álbum de qualquer artista que ouvi que realmente merece ser dito como aperfeiçoamento da fórmula inicial deles, coloca uma amálgama de sons aparentemente imcompatíveis juntos para criar uma viagem através da tal Tiger Bay, fluindo sobre imagens e histórias ambientadas em folk, eletrônica, dub, algo de post-rock, referências a todo tipo de arte, tudo de forma absurdamente palatável, radiofônico, pop. Experimentalismo tão palatável assim, não exageraria se dissesse que não houve desde os Beatles. Então…
Saint+Etienne3Com o respeito conquistado, uma fan-base die hard, Saint Etienne lança Good Humor, um álbum mais “suscinto” que os anteriores, mas ainda assim bem orgânico, embora as texturas eletrônicas já se tornassem mais polidas. Essa polidez toda pode soar a princípio como monótona comparada com as insanidades iniciais, e certamente ñ tornou o trabalho tão acessível quanto os anteriores, mas ainda assim vinha com um amadurecimento na questão da identidade da banda, que já flertara com a música ambiente anteriormente. Ainda assim, o cd trouxe algumas das composições mais refinadas da banda, o que por si só já é animador. E então, com Sound of Water, Saint Etienne enfia os dois pés no caminho que Good Humor apontava, usando da assinatura da banda para brincar com o eletrônico como poucas vezes. Um primor de produção, não atinge em nenhum momento isolado o poder dos álbuns anteriores, mas tocado inteiro tem tanto ou mais poder que os outros álbuns do trio lançados até então, usando de instrumentais para causar clima de uma forma leve, às vezes etérea. Embora tenha vindo com um certo atraso, ainda assim, foi um triunfo. Mas esse caminho tomou um passo adiante com Finisterre, um álbum que traz com força a obsessão cinematográfica dos anos iniciais, mais centrado que os outros no eletrônico que de costume, e embora atinja níveis excepcionais, a irregularidade do álbum e uma certa pretensiosidade acabaram minando a força do álbum como um todo. Então…
Se sete é um número de sorte não sei, mas bem, In Rainbows, Ray of Light, Revolver e, pq não, Tales From Turnpike House, todos sétimos álbuns, todos pontos altos de carreiras brilhantes. Tales from Turnpike House, um Tiger Bay dos anos 2000, traz um conceito como desculpa para fazer algo como música parnasiana. Passeando pelas últimas 4 décadas da música, sem com isso soar datável, o álbum retoma a assinatura inicial com as ferramentas novas, indo da bossa ao disco, com house e folk em total harmonia.
Saint+Etienne4E sim, embora haja uma infidade de álbuns que fazem um apanhado das músicas lançadas pela banda, já que alguns de seus maiores sucessos estão fora desses álbuns, falar desses 7 álbuns já dá o suficiente para uma reflexão profunda sobre o quanto se está perdendo da música internacional com a ação do tempo suplantando bandas que tiveram todo um grau de importância. Mas com o lançamento de uma nova coletânea esse ano, Saint Etienne tem revigorado um pouco a mídia sobre a banda e sua relevância, o que é aniimador. Não apenas pela possibilidade de ouvir essa art-music, já que dificilmente essa banda terá o reconhecimento que merece nos dias de hj, mas não é qualquer banda que, agindo basicamente por contra própria, cria uma assinatura tão clara e clássica que permeia as rádios do mundo por mais de uma década, indo e voltando. E que, qunado nos eixos, derruba qualquer concorrente com a sua dedicação, inventividade, acessibilidade e, acima de tudo, criatividade, algo em gritante falta nos dias de hj.
Discografia:
Foxabase Alpha: nota: 9,5 [recomendadas: Todas, e na ordem do cd dá um up inclusive. A variedade ajuda a recomendar uma a cada momento]
So Tough: nota: 10 [recomendadas: Brincou? Se eu achasse já teria comprado!]
Tiger Bay: nota: 11 [recomendadas: 11 de 0 a 10? Todo mundo devia ter o prazer de ouvir um álbum como esse]
Good Humor: nota: 9 [recomendadas: O 1, 2 punch inicial de Woodcabyn, talvez a música mais elegante da carreira do trio e Sylvie, além das fantásticas Lose That Girl e Erica America]
Sound of Water: nota: 10 [recomendadas: nenhuma em particular, todas com urgência.]
Finisterre: nota: 6 [ok, toda banda tem altos e baixos, mas mesmo assim Action consegue ser uma das melhores faixas de abertura da década, e Finisterre um dos melhores fechamentos]
Tales From Turnpike House: nota: 10 [recomendadas: Stars Above Us, Sun in My Morning e Side Streets se sobressaem não por demérito do resto do álbum, que é impecável, mas por figurarem entre as melhores músicas da carreira da banda em nível de top 10.]

Há uma versão Norte americana do Tiger Bay que perde MTO do poder da versão britânica. Mas fora isso, tão demorando já.

Desabafo audiovisual

Pq Melissa Etheridge, numa das mais lindas composições da era do rock, diz exatamente o que tô com vontade de murmurar e nem isso consigo. Me chame de brega, mas se falaram melhor antes…


Indie classics #1: Stay (I Missed You), de Lisa Loeb

Conhecem Lisa Loeb? Pois bem, em 1994, nos EUA, ela era uma artista que todos conheciam, já que seu primeiro single a cair nas rádios, a música título do post, permaneceu por 3 semanas em primeiro lugar no topo da Billboard Magazine. Não seria mais nenhum choque naquela época, não fosse o fato de que a cantora ainda não tinha contrato com gravadora alguma!
A história é a seguinte: Lisa frequentava o NYC theater, onde conheceu o ator Ethan Hawke. Este enviou uma tape da canção para Ben Stiller (sim, o ator de comédias), que gravava um filme chamado Reality Bites, com Ethan e Winona Ryder no elenco. Ben incluiu a música na trilha, que incluia músicas clássicas como My Sharona e Disco Inferno, além de artistas do claibre de New Order, U2 e Lenny Kravitz.A trilha sonora teve nada menos que 5 músicas em alta rotação na MTV e nas rádios, mas incrivelmente o maior sucesso é a baladinha Stay (I Missed You), única a atingir o número um na Billboard (fato inédito e ainda não atingido por outro artista no maior mercado fonográfico do mundo), além de um #6 no Reino Unido.
Lisa Loeb então foi sondada por gravadoras, lançando no ano de 95 seu primeiro álbum de estúdio, ainda usando o nome da banda (Lisa Loeb & The Nine Stories). O álbum foi gravado pela gravadora Geffen, responsável pelos álbuns nascidos clássicos Daydream Nation, Nevermind, Weezer (Blue Album), Appetite for Destruction, entre outros, mas a faixa Stay permaneceu como ponto alto. E assim a carreira da cantora foi reduzindo, já que ambição nunca foi o ponto alto da garota. No seu segundo álbum, Firecracker, apenas um single atingiu o top 20, e este seria o último de sua carreira. Mas isso não reduz o feito dessa Texana que, na metade da década do grunge, munida de um violão, viu sua voz suave e despretensiosa dominar as airwaves, e tudo isso sem o auxílio de gravadora nenhuma. Então, pra começar a falar de indie classics, nada mais apropriado.

ps: o vídeo da canção, dirigido por Ethan Hawke, foi gravado numa única tomada. (conferir logo abaixo)
ps 2: para quem quiser conhecer a carreira da cantora, minha sugestão pessoal é o álbum The Very Best Of Lisa Loeb, que não é muito difícil de se conseguir e tem, além de Stay, claro, algumas das canções mais agradáveis da cantora, como Wishing Heart e os singles Do You Sleep? e I Do.

Vídeo de Stay:

Letra completa:
You say I only hear what I want to.
You say I talk so all the time so.

And I thought what I felt was simple,
and I thought that I don’t belong,
and now that I am leaving,
now I know that I did something wrong ’cause I missed you.
Yeah yeah, I missed you.

And you say I only hear what I want to:
I don’t listen hard,
don’t pay attention to the distance that you’re running
to anyone, anywhere,
I don’t understand if you really care,
I’m only hearing negative: no, no, no.

So I turned the radio on, I turned the radio up,
and this woman was singing my song:
lover’s in love, and the other’s run away,
lover is crying ’cause the other won’t stay.

Some of us hover when we weep for the other who was
dying since the day they were born.
Well, well, this is not that;
I think that I’m throwing, but I’m thrown.

And I thought I’d live forever, but now I’m not so sure. You try to tell me that I’m clever,
but that won’t take me anyhow, or anywhere with you.

You said that I was naive,
and I thought that I was strong.
I thought, “hey, I can leave, I can leave.”
Oh, but now I know that I was wrong, ’cause I missed you.
Yeah, I missed you.

You said you caught me cuz you want me and one day you’ll let me go.
“You try to give away a keeper, or keep me ’cause you know you’re just so scared to lose.
And you say, “Stay.”

And you say I only hear what I want to.