And who is Madonna? Com o lançamento do seu décimo primeiro álbum, fãs da maior artista feminina do século passado se perguntam como pode, numa carreira cimentada de 25 anos, lançar um álbum com produtores da moda apenas pela certeza do sucesso, após a bomba/single 4 minutes explodir o pancadão nas rádios. Bem, essa é Madonna. Nunca foi indie, ditou moda, gerou gerações de wannabes e nunca saiu do topo em eras onde música não se resumia ao radiofônico, como agora. Mas também sabia estar antenada ao contagiante e suas músicas eram acima de tudo universais e fortes. Claro, ter a carreira cimentada (com pelo menos 3 álbuns que calaram a boca daS críticaS sobre falta de talento) pode gerar o comodismo de poder lançar algo despretensioso, mas ela é Madonna e seu despretensioso se inclui em apenas três ábuns: o primeiro, Confessions on a dancefloor e Hard Candy.
O primeiro era o álbum que colocava a Madonna carnal e jovial dos anos 80, pós punk, amante de Debbie Harry e Marilyn Monroe como uma rainha dos clubs (vendas superam os 9 milhões já). O Confessions colocava Madonna após uma carreira multifacetada e enorme para “meros” 22 anos de volta aos clubs, com a pretensão de agradar aos fãs e mandando qualquer vestígio de ambição que permeou TODOS os álbuns pós o primeiro embora enquanto sacudia os ossos ao som de samples famosos, batidas incessantes e muito refinamento. E o Hard Candy?
Esse ainda é uma incógnita. Madonna construiu uma carreira incialmente com elementos orgânicos, a ponto de ser tachada de rocker. Mas desde o Ray of light seus álbuns se renderam ao eletrônico e a vibe orgânica de obras primas como True Blue e Like a Prayer passaram a ser coisa do passado, dando lugar ao eletro refinado e semi-orgânico de álbuns como Ray of Light, Music, e American Life, cimentado pelo Confessions, menos orgânico dos 4. Hard Candy então é um pregresso ao momento oitentista de Madonna, mas sem ambições aparentes, o que poderia levar à idéia de que Madonna estaria não reinventando, mas recomeçando sua carreira. E 2008 é o aniversário de 25 de carreira e 50 de vida, o que torna essa perspectiva uma bela incógnita.
Mas sobre o álbum: vitorioso no conceito de pôr pra dançar, não é uma festa non-stop como o anterior, mas seus momentos de brilho superam qualquer um do álbum anterior, que após um tempo soava repetitivo e desgastado. No Hard Candy temos um filho do True Blue. É um álbum que nasceu depois daquele mas puxou ao pai: as músicas variam de estilos e eras, passeando não apenas pela norte américa como a escolha de produtores (Timbaland, Timberlake, Pharrell e Danja) sugeria. Passeando por hip-hop, eletro, disco, rock, r&b, puxando outras formas de batidas, experimentando (nem sempre com sucesso), Madonna criou aqui seu álbum mais criativo desde Music. E faixas como Give it 2 me, Miles away, Incredible e Dance 2night deixam claro que o álbum não é meramente uma venda: os produtores cuidaram da batida e Madonna ajudando nas letras. Não! Há elementos de vários álbuns de Madonna permeando Hard Candy, de vários outros artistas (Devil Woudn’t Recognize You é praticamente uma What goes aroud… comes around do Justin com uma letra melhor), o que parece ser temdemsia entre artistas não-tão-old-school mostrando quem manda aqui (ver Bjork e seu Volta, Tori Amos e seu American Doll Posse, U2 e o How to dismantle, Radiohead no Hail do the Thief e por aí vai). Mas a overdose de procução de Madonna faz esse álbum brilhar como poucos na tentativa de fazer música pop nos anos 00’s, onde tudo parece saído de algum lugar, pois graças ao trabalho cuidadoso nas composições obras como Dance 2night que seriam sucesso no boom disco soam fresquinhas. Quanto às letras, o leque é variado, mas a profundidade de álbuns da era 90’s ou mesmo 80’s foi realmente mais descartada. Não que seja tão fraco o trabalho nesse aspecto quanto foi no Confessions. Aqui a dança serve de inspiração, seja com Heartbeat, Candy Shop, Give it 2 me e especialmente Beat Goes On, com uma letra que torna urgente a necessidade de cair na dança, tão enérgico nesse aspecto quanto uma Vogue (e isso é uma PUTA comparação que me atrevo a fazer), mesmo com um rap descartável de Kanye na letra, mas que dá um gás na música. Com um trabalho de produção obviamente mais atencioso que o COAD que soava desleixado às vezes (ou talvez um non-stop eletro seja mais fácil que um álbum mais orgânico e multifacetado), temos pontes maravilhosas, refrões grudentos, batidas chamativas, linhas intrumentais com personalidade e potenciais singles a dar com pau! Mas como nem tudo é delícia, Incredible certamente foi um experimento curioso, mas exagerou na produção e ficou bizarra, e Spanish Lesson é uma peça descartável, mas que deve fazer bonito nas pistas de dança e já achou defensores. O que mesmo assim não reduz o brilhantismo total do álbum que, me atrevo a julgar, é o melhor desde Music.
Recomendações: Beat Goes On, Miles Away, Give it 2 Me, Heatbeat e She’s Not Me.
Pula essa: Spanish Lesson
Nota: 8.0 (ainda mantive meu top 5 álbuns com Bedtime Stories, Music, Ray of light, Like a Prayer e True Blue)
Mostrando aí quem é master…
