É, a ACPM conseguiu. Bem, quando saiu a matéria na Folha do processo correndo eu escrevi um texto que dizia isso (com leves alterações de vocabulário) na MFDB, onde fizeram um OFF Topic pra discutir a questão:
“Estranho, o compartilhamento via net, para mim, nunca foi caso de pirataria. A propriedade intelectual continua protegida do mesmo modo, a divulgação do artista entra num veículo sem fronteiras, o arco de fãs dele aumenta exponencialmente… Só quem perde são as gravadoras que, desde a década de 60, vem enfiando na nossa goela, com toda a máquina da indústria cultural, uma suposta corrente de pensamento. A net demoliu isso, diversificou o acesso de material e ampliou o acesso ao conhecimento.
Lei estúpida essa de direitos autorais. O cara tem os créditos dele pela criação da obra e pronto, o veiculamento dela deveria atingir o maior número de pessoas possíveis. Agora como a indústria cultural se apoiava em guetos isso só criava fan base CHATA PRA CARALHO de 12893712897398123 bandas fodas que ninguém ouvia pq antes era inacessível. Além de um monopólio de rádios zé ruela também, que fazia da programação “pop” a mesmice de sempre (porra, um top 20 ter 15 músicas da mesma linha é atestado de bossalidade). Meu cu pra homogenização de gosto, meu cu pra essa putaria de gravadora qrendo mandar no gosto. Lesar a propriedade intelectual é restringir o acesso a ela e nesse ponto qm tinha que responder processo são as multibilonárias do mercado fonográfico.”- 18/10/08
Então. Claro que a comunidade não vai causar O impacto no compartilhamento dito ilegal de arquivos, o problema é que uma ação regulamentadora assim na net brasileira pode servir como Caixa de Pandora pra industria cultural como um todo tratar do tema sob uma ótica arcaica que, apesar de não ter futuro, tem presente suficiente pra dar uma bela dor de cabeça. É óbvio que quem quer que legisle sobre esse fato age sob pressões já estabelecidas considerando que pode simplesmente evitar um efeito inevitável do acesso à internet que é um dos poucos benéficos (no todo), então um pouco de clareza nas idéias sempre vai bem para que, ao invés de agir na lanterninha das tendências externas, o Brasil pudesse sair na vanguarda ao menos uma vez. É óbvio que tô divagando e sendo extremamente ingênuo, mas sonhar é de graça, então…
Bem, aí coloquei um complemento ainda mais furioso devido à um comentário anterior ao meu que dizia algo como:
“E digo mais, todo mundo tinha era q mandar e-mail pra ACPM e mostrar a babaquice que eles tão fazendo. Essa tal crise do mercado fonográfico, do mercado cinematográfico, do mercado do caralho a 4 é inversamento proporcional ao acesso à cultura. E se um artista é maravilhado com sua obra é intríseco que ele qr que o maior número de pessoas tenha acesso a esse. É característica da obra de arte o apelo universal. O lucro sobre essa é uma das maiores deturpações do capitalismo, e evitando qualquer discurso de esquerda enfadonho, só fecho falando: artista que produz VISANDO o lucro não MERECE o rótulo de artista, não merece UM ÚNICO FÃ e fã idiota que quer ser mais fã q outro pq tem o k7 da demo de 1900 e caverna do seu artista, o manustrito em guardanapo de A Hora da Estrela, o vinil com a narração do Orson Welles e NÃO COMPARTILHA é de uma babaquice e infantilidade abissal e deveria fechar a matraca antes de vomitar seu discurssinho de lesa propriedade.
Saco.” - 18/10/08
Aqui eu vou começar com retratação. Primeiro pelo vocabulário, digamos, espartano. Segundo por ter em mente que qualquer trabalho executado na sociedade hoje em dia visa o lucro e bradar com uma retórica romântica assim não é só ingênuo, é estúpido e injusto. Pq colei esse trecho também? Pq apesar dos exageros, há um fundo de verdade preocupante nessa idéia. Um é que a indústria cultural continua conseguindo empurrar de qualidade duvidosa por aqui enquanto o exclusivismo e a arrogância de uma outra parte torna meio difícil que coisa boa vingue nesses veículos como fóruns. Se um fã de Britney, RBD ou (porquê não?) Madonna, que são bem gerais, pode ser um saco, um fã de “Indie rock” pode beirar o insuportável. Bem, ponto um, que foi o que me fez escrever esse segundo trecho.
O ponto dois, mais delicado, envolve justamente a retórica frágil e começa com o mesmo ponto. A indústria cultural tem colocado muita coisa duvidosa por aí. A aprovação popular que gera mostra o tamanho que ela ainda tem, não o atestado de uma melhora de qualidade dos métodos desta. E tem fã que se descabela por um artista Milli-Vanilli da vida! Se essa mesma indústria derruba veículos de compatilhamento que favorecem talentos de verdade (apesar de favorecerem mta merda tbm) em detrimento dessas aberrações culturais (tô evitando MESMO falar nomes), a democratização da cultura que a internet gerou perde. E muito!
Por fim: a indústria cultural não comete só erros, claro. E nesse ponto eu assumo meu erro no trecho em negrito. Como toda generalização foi vazio e exagerado. Mas lidar com a modernização do acesso é prioritário e lutar contra ter que lidar com isso não apenas é um erro como um imperdoável.



