Bombril na antena

Tem algo fantástico sobre a escrita que escapa dos leitores comuns. Ainda tô aprendendo o porquê, mas o processo da escrita é algo que envolve uma permissividade. Você deve deixar que o texto fale por si só, e nesse meio ele irá te trair. Você pode ser um Camões e ter o controle pleno das ferramentas, mas a escrita possui uma alma que não pode ser contida, uma alma que dá uma voz àquelas palavras corriqueiras e fala além da voz do autor, além da voz na cabeça de cada leitor (quem nunca foi discutir um livro com alguém e notou que o outro havia notado coisas que você ñ notou? Isso é leitura.), uma voz mais antiga.
Bem, é fato de que essa traição da escrita não necessariamente será algo negativo (e na verdade nem deve, mas deixa pra frente). O fantástico é que a traição do texto enriquece ele com uma contradição que pode dar uma língua nova ao texto inteiro. Afinal, hoje mesmo entreguei um texto que deveria falar da infância numa aulae, surpreso, a professora queria saber se era mesmo infância. O foco do texto para mim, que escrevi, era narrar a vida de alguém de 12. A professora achou que havia um monólogo. E enquanto o texto permanece em aberto, ora descritivo, ora realmente dialogado (existe a primeira e a terceira num processo meio Graciliano-ish) em primeira pessoa (eu + eu não é bem um nós), revi muitos textos antigos como leitor. E onde foi parar a carga emocional que moveu meus braços? A tristeza hoje soa como raiva, a desolação soa como impetuosidade, e isso, deixando de lado a técnica, é dizer que o implosivo se tornou explosivo quando saí do papel de criador para o de consumidor de mim mesmo.
E o texto me traiu? Sim. E a tensão? Descobrir como conseguir sair do implosivo quando criador e me tornar explosivo. Já a postura de consumidor, essa pode ser o que bem entender. Minha antena anda fragilizada e é nela que devo concentrar esforços nesse aspecto. E que venha o divã.

Anatrama

Daí que preciso fazer um texto baseado em anagramas com meu nome. A idéia é usar as letras do seu nome com toda a liberdade, achar palavras e criar livremente um texto, em seguida. Matutei horas, domingo na abstinência foram 4 ao todo, devassei meu nome por inteiro e consegui palavras, mas criatividade não se consegue, acho. Sempre veio quando quis, impetuosa e dominadora. E quando falo dominadora, falo sincero, pois quando não podia me dobrar às necessidades imediatas da palhaça era punido pelo meu cérebro com mau-humor, ansiedade, uma vez surgiu até paranóia.

Bem, consegui formar Via na mata, mas tudo que escrevi antes foi urbano. Assim, nada contra o bucolismo, acho uma coisa super agradável, mas não consigo produzir algo agradável desde 2004. Aliás, minha “produção”, a que realmente dou valor, são meus desabafos cheios de ira adolescente mal calculada e arrogância de uma idade cujo principal charme é a falta de senso para notar que você está sendo coisas que condena, e que, por isso mesmo, adora trabalhar no terreno do conhecido como se lidasse com uma terceira pessoa. E claro que o bucolismo não precisa ser agradável, mas me falta visão para lidar com ele de outra forma, assuntos pessoais que não vem ao caso. Então desisti da mata.

Aí consegui Muro em ouro. Pomposo, sendo que meu negativismo acaba tendo uma perspectiva sempre de inferioridade. Não é humildade alguma, acabei de falar da característica arrogância não à toa. É inferioridade, a humildade vista na ótica do negativismo, a podação das coisas que ali existem, e aí me divirto podando meus textos de muitas coisas para que eles sirvam pro que tenho em mente. Daí quando acho os textos inferiores é ao redor, e nesse momento noto que são mais meus que nunca. E assim esse Muro até serviria, já que cercar entre paredes de tijolinhos de inibição a minha produção é tão importante quando produzir. Ao menos para mim. Mas esse texto deve ser livre, então derrubei os muros e parti para a próxima.

Aí consegui Nova trova, mas não lido com ritmo pra enfiar trova no título de texto algum. Aliás, me faltam muitas ferramentas para conseguir a produção que me interessa, e o danado é que quanto mais conheço as ferramentas mas descubro minhas limitações e mais complexo fica escrever, já que a única coisa que mantenho sempre ampliada é senso crítico. E meu senso crítico, carregado de sentimento de inferioridade e incômodos pessoais acaba por me paralisar.

E é aí que concluo a atividade dos anagramas. Falta-me algo sempre. Falta-me controle sobre a criação, sobre o momento, sobre a significação. E para escrever esse texto, com meu nome, falou um D pra escrever Fudido.

Angústia

Essa palavra possui um campo semântico tão eficiente que a pronúncia dela já traz uma idéia negativa forte.
Na boa, é a minha palavra preferida. Tenho a mania virginiana de catalogar absolutamente qualquer coisa, incluindo palavras, em rankings (não por pouco tenho um last.fm, um hobby de crítico e listas e listas no pc). E o pq disso?
Bem, eu tenho um conhecimento falho de mim, outras pessoas podem ser capazes de me entender melhor que eu por causa da parede que eu jamais poderei cruzar, da visão isenta. Mas a mim isso não interessa. Interessa que notem o que me move, o que me toca, o que me sente. E quando alguém chega nesses pontos chama naturalmente minha atenção, mais que com uma roupa VR ou um corte estiloso. Isso é a razão da minha inaptidão ao sistema de baladas e o motivo de sempre cortar qualquer pessoa que tente algo mais que eu conheça nelas.
Pois bem, isso é minha angústia. Me angustia procurar um espelho de mim em outras pessoas, pois com seis bilhões de cabeças eu simplesmente não acredito que todas pensem dferente se a maior parte dos pontos de vistas se resumem em sim ou não. Porquê é tão difícil achar esse doppelganger nas pequenas coisas então? Eu vejo tantas pessoas que pra mim não se diferenciam em quase nada, mas não acho isso em mim. É fácil uma body language comum, é fácil um gosto musical parecido, é fácil achar experiências de vidas parecidas em sua natureza primal, mas é impossível pra mim achar isso tudo em uma única pessoa. E isso me angustia, me move e me drena qualquer perseverança que eu junte enquanto isso está fora da minha cabeça.
Mas não, eu não falo de um namorado, isso eu achei em uma pessoa completamente diferente. Eu só quero um espelho pra me julgar com mais cuidado. Se achasse alguém assim, quem sabe eu não tratasse mais as pessoas como objeto de estudo, quem sabe eu não me julgasse melhor. Quem sabe eu não parasse de me distanciar de qualquer similaridade que me una a qualquer pessoa. Quem sabe não sumisse a preferência pela angústia e a número dois das palavras do meu dicionário ganhasse mais o meu respeito e passasse a ser uma idéia menos utópica na minha cabeça: a idéia bonita que traz a palavra completo.

Sobre Brasília

Gente, alguém me tira a dúvida se é só em Brasília q rola isso, per favore…
Em qualquer lugar a palavra Alternativo remete a Viado?
Grato pela ajuda…