
Eu já tinha ouvido por aí (last.fm) que o Muse, no palco, é uma banda quase insuperável nos dias de hoje. Achei um exagero, considerando que bandas como Arcade Fire e Broken Social Scene (exemplos estrangeiros) tem extruturas de banda monumentais. Foi aí que vi vídeos do Muse live e descobri que, de repente, não era tanto exagero assim. Mas ainda assim, 3 ingleses, sendo que o mais enérgico era um baixinho, não me parecia algo capaz de… mover. Mover que falo é como vi a Bjork, com o aparato de palco, fazer no Tim festival em SP, quando emendou músicas mais pulsantes e fez o Tim inteiro gritar. O Muse, pelo que tinha visto, usava um telão e… a banda.
Bem, fui pro porão às 18 e, por ser fim de semana, cheguei às 19, indo direto atrás do palco onde o show do Muse ia acontecer. Sapatos Bicolores tocava e eu curti o suficiente pra começar a me empolgar, mas o show que queria ver era Lucy and the Popsonics. Esse, tinham me advertido que não era dos melhores, mas eu curto o som da banda e de todas as atrações, era a que mais esperava além do Muse. Após um pit stop no bar, voltei pro palco do Muse, enquanto rolava outro show no palco ao lado, já que os Sapatos Bicolores tinham terminado. Descobri que o show dos Popsonics seria no palco do Muse e fiquei no aguardo.
Puta show, viu? Banda daqui, ambos no palco souberam empolgar, as batidas ficaram grudadas na cabeça um bom tempo depois do show terminar, e a vocal ainda de
sceu lindamente, trocou um contato com o pessoal da grade na minha frente (já composta 50% de fâs do Muse), e as músicas saíram tão fluidas que o show pareceu minúsculo. Bem, foi realmente curto, mas no porão os shows acabam sendo assim mesmo. Mas sei lá, isso não foi algo negativo de um todo, mesmo ficando a vontade de mais um pouquinho.
Bem, show vai, show vem, a grade na frente do palco começa a ficar lotada. Eu sempre soube que Brasília é uma cidade que não é modelo de gente gentil e educada, mas ver um bando de criança sem pai força espaço na grade e uma biscatinha arrumar um troglodita pra me arrancar da grade era algo que não previa. Bem, ocorreu. E levou embora minha chance de chegar sóbrio no show, pq depois dessa só podia encher a cara. O show do Muse se aproximava, e desde o show da Pitty, no palco ao lado, só pude esperar em pé o show do Muse, pois se brincar tinha mais gente em frente ao palco vazio onde os ingleses iriam tocar do que no da Pitty. Aliás, voltando à lendária educação brasiliense, o show da Pitty estava na metade quando a galera começa a gritar ao meu redor: MUSE MUSE MUSE. Ok, confirmado: Fãs de Muse no porão leram e seguiram à risca o manual do fã babaca. Nesse momento, se não fosse a ansiedade e o álcool, juro que veria o show de cara amarrada. Não sou fã de Pitty, mas de respeito eu sou dos maiores fãs.
Bem, show da Pitty acaba, começa um tempo de finalização do palco e engatam umas músicas. Mas notei que tinha algo estranho: as músicas eram remixes que começaram claramente como músicas do porão, mas depois foram aparecendo alguns acordes de músicas do Muse no meio das batidas. Eu tava brincando ainda de identificar de qual músicas eram quando as luzes apagam. E eis que surgem os cavaleiros de Cydonia no palco. Por mais que eu esperasse o melhor dos shows, depois de tudo que me falaram, depois de tudo que vi, eu não estava preparado pra dimensão daquela experiência. O set list foi simplesmente impecável, quase um greatest hits naquele palco. Começando com Knights of Cydonia, terminando com Take a Bow (última e primeira música do último álbum de estúdio da banda, respectivamente), foram uma hora e quarente de pura energia, a bateria orgânica doía no meu peito em algumas horas, as batidas eletrônicas faziam minhas pernas, doídas depois de 6 horas em pé, me jogarem alto enquanto pulava, e mesmo tendo perdido a voz na quarta música, não consegui deixar de gritar as 4 músicas do bis inteiras. Durante os pulos, notei que o porão inteiro tava condensado naquela área de frente pro palco. Uma maré de gente se movendo segundo às vontades daqueles 3 pingos de gente no palco que alternavam entre o mais blasé (Don) ao mais empolgado (Matt), sem nunca deixar a empolgação cair pra algo que ficasse suportável. Sim, era uma energia que pirava naquele momento, que era fora de controle, ao ponto de várias vezes, Matt ter brincado de Sonic Youth qse sozinho no palco, como se a música tivesse descarrilhado, mas ele tivesse segurando ela num cavalo de pau ao invés de meramente freiar. Quando terminou, senti que tinha acordado, mesmo que estivesse sem forças pra ficar em pé, de um momento de transe. Só sabia que tinha acabado de presenciar o melhor show da minha vida. Eu sabia do set list, eu havia sido advertido sobre o que eles faziam no palco e mesmo assim o show superou toda e qualquer expectativa que eu tinha, mesmo que a extrutura, queira ou não, não fosse das mais adequadas para um show memorável. Mas aquele show não foi nada além de memorável. Qualquer outra palavra fica desnecessária. Tirando, claro, flawless.
ps1: Matt Bellamy, no palco, com uma guitarra, vou falar que nunca vi nada tão sexy.
ps2: Antes do último acorde de Knights of Cydonia eu já estava sóbrio, pra ver o que foi a experiência.
