Sutileza do destino

O poema configura-se como obra de um ser imerso em um contexto. Apesar de uma suposta liberdade  pela idéia de obra individual e interpretativa, é escravo de sua condição social, que é tanto temporal quanto universal. Por esse motivo, a análise de seu conteúdo é derivada dos mesmos filtros, mas passa (ou deveria passar) por análises menos particulares, de cunho puramente literário.

O autor configura-se como antena e prisma da sociedade e produz, portanto, uma obra repleta de fragmentos deste contexto que não perde a universalidade. Isso pela razão óbvia de que mudam-se as rotinas, mas a constituição do homem permanece, assim como as angústias e questionamentos. Dessa forma, a obra é uma pintura de momentos, mas as cores são as mesmas apesar das mudanças do tempo. O leitor deve, então, estar atento a essas cores para assim devassar o sentido da obra em toda a sua complexidade. Cada contraste é capaz de trazer uma hipótese e cada hipótese deve ser averiguada para que a obra não seja subestimada.

Para tanto, a obra deve ser encarada completa e minuciosamente e ser enriquecida pelos fatos que transcendem a obra, que se transformam por sua leitura. O poema é um conjunto de idéias e essas idéias possuem um significado. Esse significado é subordinado à uma experiência de vida que autor e/ou leitor imprimem. Na tela do poema, as cores que se vêem são as que o pintor/autor usou, mas as que o observador/leitor conhece não necessariamente batem. Esse conflito produz algo novo, a interpretação transtextual, indo além da mera imagem talhada.

Esse conflito enriquecedir é natural, já que outorga ao leitor o dever de pensar sobre e além da superfície, mergulhando a partir das palavras em questionamentos, indo por vias históricas, psicológicas, sociais, teológicas, enfim, onde houver limites para o estudo dos campos de signos impressos na obra. Assim, torna-se fundamental para uma leitura rica, uma mente rica em signos e experiências.

A obra é, portanto, criadora de um conjunto de debates e o autor, mesmo sem a intenção, é um formador de opiniões. É, então, inseparável da área de atuação da obra a visão apurada do leitor, co-autor da significação final da obra e pensador livre, em termos, por natureza.

Mais uma resposta de prova dessa época que hj lembro com carinho. Vou usar como resposta pronta daqui uns 20, anos, então é bom relembrar por agora ;]

Revivendo o passado: “Qual sua visão do amor hoje.”

O amor é uma das sensações mais cruéis que o ser humano passará. Seja o amor conjugal, o amor fraternal, o ser humano não perdura, e sim ssuas ações. Estas duram para nos lembrar do que passamos e de como as coisas passaram. Sendo a própria felicidade um estado efêmero de humor, o amor está subjugado pelas mesmas leis.

Sendo o seu amor, ou o da pessoa amada, que acabou, ou mesmo o de nenhum, apenas a existência de um tendo acabado, o que sobram são as lembranças vivas de algo sem volta. Lidar com essa saudade é saber se ver livre da dor, anestesia que só vem com o tempo e leva embora o sentimento restante, deixando uma indiferença agridoce.

Mas todo ser humano passará, pois todos precisam de contato para serem humanos, e como cada um é algo infinito em possibilidades, esse apego que gera o amor surge, quer queira quer não. Pensar no fim é amargo, mas o antes e o durante do amor, que tem seu próprio calendário pois não há quem não tenha sua vida dividida em antes e depois de uma pessoa especial, é algo doce. E o amargo mostra o que era o doce, mas não fica imune à influência deste. Agridoce é o gosto completo do sentimento, ou gama de sentimentos, completos e complexos que é o amor.

Questão final de uma prova do segundo semestre de faculdade, respondida em poucos minutos restantes para o fim do tempo.  Se alguém identificar o processo que vivenciei nessa época e permeia o texto ganha um doce. Dica: not a heartache.