Sabe quando você sente que algo importante acabou na sua vida e se sente até um tanto fútil por isso? Bem, imagino que a intenção de um criador seja a de ver sua obra causar algum impacto nas pessoas e nesse ponto os produtores, diretores, roteiristas e atores de Skins tem muito do que se orgulhar. Começando com um comercial que apresentava jovens britânicos em um comportamento hedonista desenfreado, a série começou com um piloto tão descompromissado quanto, sugerindo ali mais uma série de adolescentes descartável. E então foi crescendo, crescendo, e isso desde o princípio. Já na primeira temporada dava pra sentir algo em skins que divergia do que tinha por aí. Um zelo por parte de quem fazia era a única explicação pro capricho que corria pela confecção de cada episódio, sempre na ótica do personagem título mas sempre coesa à história geral, o que por si só revela uma complexidade narrativa incomum, ousada, fácil de se assimilar e acima de tudo bem sucedida. E a série nunca parou de acrescentar elementos, mas nunca ficou inflada, embora uma conclusão para a vida de personagens tão complexos e carismáticos que ainda assim sempre pareciam mais dimensionais a cada episódio soasse como algo impossível. E quando surgiram os boatos, e suas confirmações, de que essa galeria de personagens ficaria na lembrança, minha esperança de que fosse um boato gritou acima do meu bom senso. Ela dizia: esse final vai ser uma grande merda.
Bem, acabou skins. O último episódio talvez não tenha sido o melhor, mas resumiu perfeitamente todas as qualidades que tornaram skins única, além de render uma homenagem indulgente, mas que jamais soa arrogante já que Skins é sem dúvida o melhor seriado de temática adolescente já feito, e aparentemente os produtores notaram isso. Lembrando o clima do episódio piloto, que era focado no Tony, esse final focou em cada personagem e o que seria deles. E com toda a complexidade já colocada, o resultado foi não se render a soluções bobas de happy end típicas de seriados do tipo. As coisas ruins certamente tocaram aqueles personagens e ninguém simplesmente esqueceu nada do que quer que tenha ocorrido. A temática do crescimento foi abordada com a urgência que o tema ganha na vida de quem ainda tem pouco de tempo pra muita bagagem, mostrando no fim que tudo podia terminar do jeito Cass (it’s all in the future, more shit to happen) ou do jeito Chris (Fuck it) ou do jeito Tony (I know… what you want me to do?)… ou do jeito que cada um quiser assim que os créditos começam. Mas frases memoráveis esse episódio teve de sobra, o que não deu a ele a idéia que poderia estar passando de flashback. Não, esse episódio teve uma identidade própria. Foi um final como eu mesmo nunca vi em um seriado. Literalmente convidativo, sedutor, carinhoso, respeitoso das experiências que cada um teve ao ver Skins e promissor para a terceira temporada, com outro foco. Teve o mesmo carinho da direção, diálogos soberbos, enfim, o nível de qualidade que a série sempre apresentou. Taí Skins pra provar que por trás de um comportamento hedonista inconsequente sempre há porquês, individualizadade is not all over e profundidade nem sempre requer tempo. Seriado que captou as angústias de um tempo malfalado e mostrou que os defeitos dele são seus maiores charmes. Skins é capaz de impactar por essa datável universalidade. E como disse um professor meu: odeio eles por terem feito o que eu gostaria de fazer.



